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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Post estúpido [e como não dá para mais...]


Na vida, tudo é uma questão de perspectivas:
  1. Acho que se os homens percebessem a quantidade de sexo que advém de uma tentaiva de gravidez, nenhum ficaria assustado com esta questão...
  2. Se uma mulher sonhasse com o que lhe espera, nomeadamente os belos dos exames, ficaria desde logo assustada. Ontem tive direito ao meu primeiro toque. Eu deitada naquela maca, a olhar profundamento para o tecto branco, só me veio uma lembrança em mente: os episódios do BBC Vida Selvagem em que os veterinários punham o braço todo dentro da vagina da vaca. Sim, ontem senti-me uma verdadeira vaca. E houve ali em toques muito suspeitos... (não, nada de felicidades porque não estou grávida. Um problemazinho levou-me à CUF só para descarte de consciência  (ou o meu marido não fosse tão chato e teimoso) e depois tive direito ao tratamento completo...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O fantasma da menstruação


A menstruação sempre foi um fantasma que paira em cima de qualquer relação. Os homens, por falta de cohabitação directa, vêem nele um bicho estranho e perigoso. Claro que cada homem reage à sua maneira perante o inimigo. Uns vivem bem com ele, sabendo respeitar os limites um do outro. Sem problemas vão ao supermercado comprar pensos higiénicos, e vêem este período do mês com naturalidade. Este é o caso do meu marido. Acho que ele se dá melhor com o período em si do que com a TPM. Esse si é o verdadeiro trauma. E depois claro há os outros homens que se recusam até de acompanhar as suas senhoras a comprar este objecto da vergonha. Há uns que sabem que neste período do mês a sexualidade da mulher está ao rubro e aproveitam, outros ficam enjoados só com a ideia...

Em tempos, numa aldeia transmontana, encontramos um daqueles senhores que, segundo a sabedoria popular, adevinha às coisas. Enfim, um bruxo. Virou-se para o meu marido e perguntou-lhe «você sofre de psoríase, certo?», ao que ele respondeu espontaneamente «sim». «Então eu tenho a cura para si. Totalmente natural, sem dores e gratuita».

O meu marido é sempre céptico nestas coisas. Não acredita em milagres, ou coisas que fogem um pouco ao normal. É das pessoas mais racionais (demais até) que já conheci. O velhote continuou «O tratamento consiste em esfregar as feridas de psoríase com sangue da menstruação da sua mulher. Vai  desaparecer tudo».

Pela cara do meu marido passaram em minutos mais de 50 expressões faciais: surpresa, incredulidade,..., nojo! O que me tenho vindo a rir com isso. Por isso agora, sempre que surge a minha querida mentruação, provoco-o. «Não queres aproveitar para fazer uma exfoliação com isto?», «queres que te espalhe um pouco deste creme natural nas tuas feridas?». E tenho direito sempre a mesma cara de enjoado. Tão fofo que ele é. Ele até teme que cheguem estes dias. Porque até já lhe disse que fazia o sacrificio, em nome da sua bendita saúde, de lhe fazer um tratamento completo enquanto dorme...

Isto meninas é serviço público! Menstruação é a cura da psoríase. Cá em casa, prefere-se estar doente. Mal-agradecido!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ai, vida


Os homens foram criados para trabalhar, caçar para alimentar a família e acasalar. Isto no tempo dos australopitecos. Passados estes séculos todos, pouco mudou na mente deles. Nós mulheres bem queremos amestrá-los e ensinar-lhes a arte das tarefas domésticas, mas é um esforço sobre-humano. O meu homem das cavernas, após muita insistência e paciência minha, lá começou a ajudar a custo e agora, após cerca de 4 anos de cohabitação, já faz por ele próprio. Não faz tão bem, nem tão dedicadamente, mas não me queixo para o incentivar.

Mas nas últimas semanas o homem tem sido do piorio. Aquelas mãos partem tudo! Estou a ponderar fazer-lhe um daqueles seguros para as crianças que só fazem asneiras. Em poucos dias, fiquei sem nenhum conjunto completo de copos, fiquei sem o melhor pirex, com a parede e um azulejo da sala manchada, etc. E tudo em circunstâncias bizarras. Contado ninguém acredita. A última? Há duas semanas comprei uma capa impermeável no IKEA para a nossa cama. Não foi barata porque era do tamanho maior. Sim, era. Porque o meu marido ao mudar a cama, julgou que cheirava muito a plástico e pôs-a no estendal a apanhar ar. Passado alguns minutos, a capa volatilizou-se. Sim, desapareceu. Assim do nada. Ele diz que usou molas. Inexplicável. O que sei é que fiquei sem capa, sem nunca a ter usado, e que vou ter que comprar outra.

Acho que preciso de ir à bruxa. É o homem que anda louco e eu com um azar descomunal. Depois de finalmente sentir melhoras da infecção gástrica, passadas mais de 3 semanas, a alergia voltou... Um pouco de sossego, sim?

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Virada para a Lua



Às vezes pergunto-me porque é que há pessoas com uma vida tão facilitada: os seus projectos de vida desenvolvem-se sem grandes percalços, sem grandes preocupações. E há outras em que tudo é uma luta constante, uma sequência de reviravoltas e surpresas desagradáveis. Será destino? Será que está tudo traçado na nossa vida? Mas eu acredito que toda a gente é dona do seu próprio destino: cada decisão, cada acto conta para o futuro. Mesmo que por vezes haja uma entidade externa que ajude, a quem alguns lhe chamam sorte, coincidência, e outros Deus.

Mas sendo assim, pergunto-me: que terei eu feito para merecer esta história de vida? Não peço sucesso, não peço fama, não peço riqueza, ..., só peço saúde. Para mim e os meus. Só. Só pedia que o destino me afastasse uma temporada de tudo o que é médicos, exames, tratamentos e suspeitas de tumores. Francamente estou cansada. Tenho o peito cheio de fé e força para o que der e vier. Não tenho medo, porque sei que vai correr bem. Mas não é justo. Viver-se assim em sobressalto, sem paz. Mas nunca irei baixar os braços, porque o que mais ganhei nos últimos tempos foi força.

Alguém me disse que a infelicidade das pessoas se prende com o facto de não pensarem no importante: o presente. As pessoas vivem presas ao passado e angustiadas no futuro. E não vivem o presente, onde podemos ser felizes.

Acho que estou a criar um monstro dentro de mim, com muita raiva a classe médica. Nomeadamente aqueles senhores que se julgam superiores mas que erram à custa do bem mais precioso das pessoas. Era capaz de não sei o quê para destronar aqueles profissionais do Centro Hospitalar do Nordeste. Calada não fico, mas é pena que não adiante nada.

Sim, a minha mãe saiu hoje de uma consulta no privado onde lhe queimaram o lábio inferior por causa de uma ferida que tem há mais de 2 anos. Se não curar, segue para cirurgia. Pode ser sinal de algo ruim... Sim, a minha mãe está a ser seguida no público há mais de 2 anos, onde lhe disseram que era cieiro...

* A merd* do Blogger não me deixa postar imagens ou desconfigura-me tudo. Maldito!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Pelos cabelos


Estou farta. Todos os meus problemas se resumem à minha magreza. Se fico doente da cabeça, é porque estou magra. Se me doem as costas, é porque não me alimento bem. Se estou cansada do trabalho, é porque não como o suficiente. Qualquer dia tenho uma unha encravada, e a culpa é da alimentação. Estou cansada da ladainha: "Não estarás anorética? Pois mas os anoréticos dizem todos que não o são... Vi uma na televisão a semana passada..." É a maneira mais simples de me levar aos meus limites: e esses não são bonitos. Se nunca fui de fazer boa cara quando as pessoas estão a ser desagradáveis, agora ainda consigo ser menos diplomática perante certas situações. Principalmente porque agora a nova moda é «um dia queres ter filhos e não podes, porque estás esquelética», sendo que estas pessoas não me vêem comer, e não sabem do meu problema.

Com os gordos as pessoas são mais diplomáticas. Podem dizer delicadamente «estás mais cheiinha, não?», ou limitam-se a um olhar mais perscrutador. Aos magros é logo um «estás MAGRAAAAAAAAAAAAAAAA», alto e bom som, como se a pessoa estivesse cadavérica, em fim de vida, atinginda por uma doença letal. Sim, ser magro é frustrante. As pessoas são mais recatadas perante a gordura. Os magros sofrem. Mas se eu engordasse de certeza que me iriam chatear logo a dizer para ter cuidado. Ou então iriam supor que fui finalmente para a Ramada, como uma pessoa de família já me propôs. Para vossa informção tenho 51 quilos por 1.63, há três anos sem variações...

Não sei se as pessoas têm receio de criticar os mais gordos, como quem diz, isto é uma maleita que ainda me pode atingir, por isso deixa-me estar caladinho. E então não se abstêm de tecer comentários menos apropriados aos magros, porque sabem que estes representam os seus sonhos inatingíveis...
Já sabem, se desaparecer sem pré-aviso, é porque me internaram à força num centro de reabilitação.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

De molho

Estou ausente pelos piores motivos... Domingo de manhã, fiquei doente de repente. Dores abdominais e tonturas que me fizeram sentir como nunca me senti. Domingo passado nas urgências de Vila Franca de Xira, e a lição que tirei foi nunca mais lá ir. Saí de lá com um diagnóstico. Hoje, como não estava melhor, mesmo depois da dose de cavalos que me deixou totalmente drogada, fui ao médico de família, agora com diagnóstico totalmente oposto. Espero que melhore e que a medicação comece já a fazer efeito, porque senão nem quero imaginar como vou trabalhar amanhã...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Já chega


O pior quando nos deparamos com um problema de «infertilidade» é que, à nossa volta, começam a proliferar gravidezes. Por todo lado. E o mais injusto (chamem-má se quiserem) é que há mulheres que engravidem pelos piores motivos, sem qualquer dificuldade, mal acabem de tomar a pílula. Sim, conheço alguns casos de conhecidas em que uma engravidou para «salvar» a sua relação amorosa, outra por satisfazer o marido mas que já planeia entregar a criança aos avós nas férias, aos fins-de-semanas, etc., para continuar a sua vida como até agora. E há quem queira um filho por amor e que vê este sonho vetado. É um sentimento de injustiça e revolta tão grande!

E depois com toda a gente a engravidar, vêm as perguntas que sempre achei de muito mau gosto «e vocês, já era tempo», «para quando um filho»,... E depois há os amigos chegados do meu marido que sabiam da vontade enorme do meu marido em  ter um filho, então a cabra nesta história sou eu, porque não quero realizar o sonho dele. Já ouvi cada comentário mais cruel. Mas não quero justificar-me, nem dizer o porquê de ainda não termos um filho. Porque ninguém tem nada a ver com isso, nem quero que tenham pena de mim. Por enquanto só eu, o meu marido, a minha mãe (com nuances sobre as causas para não a preocupar em demasia), uma sobrinha e uma grande amiga (também ela com problemas) sabem a verdade.

Tenho tanto medo de não realizar o meu sonho. Mas tenho tentado não pensar muito nisso, apesar de o anúncio desta e daquela gravidez ser um punhal no coração. Tenho repetido a mim mesma, com convicção, que vou conseguir, que tudo há-de correr bem. Porque acredito que a nossa mente tem o poder de concretizar os nossos sonhos. Porque acredito que o positivismo pode fazer a diferença. Ou no final fazer com que a dor seja ainda maior. Mas não posso sofrer por antecipação. Seria demasiado cruel, para mim e para quem está ao meu lado.

Mas suplico-vos: parem de fazer perguntas sobre planos de gravidezes aos vossos amigos e conhecidos. Não imaginem o trauma e o sofrimento que pode causar. 

quinta-feira, 24 de março de 2011

A ignorância é santa


Passei os últimos anos com sintomas tramados. Pior ou melhor, pensei que era normal. E com recurso a medicação ou não, conseguia aliviar as dores, que por vezes só passava com uma injecção no hospital. Agora lembro-me de quando a minha médica de família me disse perante as minhas queixas «tem dores? Aguente-as. Quando parir ainda vai ter mais dores» e nunca nada me foi diagnosticado.

Desde que abri aquele envelope branco e que li preto no branco o que me causava estas dores, inchaços e complicações, parece que tudo é mais insuportável. Hoje a dor tem nome e sei que não é normal. Roubou-me sonhos e paz. Se antigamente me doía mas me limitava a ignorá-las, agora olho para o meu ventre com desprezo. Estas dores irritam-me, chateiam-me mais. Fazem-me lembrar a minha condição humana. Nem sei explicar este sentimento estranho que se apodera de mim. A dor é antiga mas o sentimento é novo. O meu inimigo tem agora nome, e é mais difícil cohabitar com ele. Terei que conviver com ele, até fazer dele um daqueles amigos que se mantêm ligados por coincidências da vida. 

É tão bom viver na ignorância. Dá-nos paz e tranquilidade. O conhecimento acarreta responsabilidade e  força para lutar...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Quero tréguas

Como qualquer livro mau, deveríamos poder devolver a nossa vida à estante. Quando se torna demasiado insustentável, podermos encerrar a história, e escolher outra bem mais feliz e serena. Hoje começa novamente a saga dos hospitais. Estou farta que a minha vida seja entrega a homens de bata branca, para quem eu sou só mais um número. A minha vida está suspensa no vazio, o que era um exame de rotina revelou ser a sentença  de morte quase certa do meu grande sonho de vida. Poderei nunca o realizar, sem contar com os outros mil e um problemas que acarreta. Podia ser um diagnóstico pior? Podia. Mas a raiva consome-me, o medo invade-me. E o que dói mais é que por minha causa os sonhos do homem da minha vida podem nunca se concretizar...

Será que sou tão má pessoa para merecer isso? Após anos de lutas incessantes pela vida e saúde do meu pai, passado pouco mais de 6 meses sobre a sua morte, terei que lutar pela minha? E agora, eu que tenho sido a força de apoio de todos, onde é que vou buscar a minha força?
Hoje começa mais um capítulo da minha vida chamado Doenças Graves... E vou ter que arranjar força e coragem para ler esta trama até ao fim...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mundo de homens...


Até no gabinete médico, somos capaz de sentir que este mundo pertence aos homens. Se for ao médico e lhe dizer que está a planear uma gravidez, virar-se-á para o Sr. e passar-lhe-á uma colheita de sangue para testar 2 ou 3 variantes. Para si prepara logo um rol de exames (só de sangue e urina são cerca de 5 folhas). É óbvio, que será a mulher a portar e gerar um filho durante 9 meses, mas  parecem esquecer-se que o homem continua a ter um papel importante no processo: sem um espermatozóide saudável nada acontecerá). Mas conheço tantos casos em que o casal passa anos a tentar, e a mulher a fazer montanhas russas de exames (dolorosos e difícéis) e só em última instância é que o médico decide finamente voltar-se para o homem...

Quanto a mim o meu sistema reprodutor conheceu nas últimas semanas mais objectos com potencial erótico, do que durante toda a sua vida activa, entre cotonetes gigantes, sonda em formato de vibradores, e tantos mais. Já tive tanta gente a olhar para ela de perto, que penso que será considerada em breve Património Público. Mas já me mentalizei que se um dia quiser ser mãe, ela se vai tornar uma exibicionista do pior. Agora para além de controlar a depilação nas zonas íntimas para o marido, também tenho que pensar no Dr. X, e no técnico Y.

E tentem dizer ao vosso homem que custa. E dirá simplesmente «o buraco já está feito não custa nada» (machismo ao mais alto nível). Falem-lhe em exames ao seu aparelho reprodutor e aí parece que foi decretado o fim do mundo. Porque são as jóias da família. Mais uma expressão machista do nosso mundo masculino. Tentem, vós mulheres, usar o termo «a minha vagina é a jóia da família» e os interlocutores imaginarão logo que este é o vosso meio de subsistência»...

domingo, 12 de dezembro de 2010

Nuvem negra


Ensinam-nos a gerir uma casa, um ordenado, uma equipa. E os sentimentos, quem nos ensina a conviver com eles? principalmente quanto são tão contraditórios. Quando a felicidade convive de mãos dadas com o tormento e o sufoco?

Tento rir e seguir em frente. Nunca gostei de sentir sobre mim o olhar de pena dos outros. Também nunca fui de dizer o que sinto realmente a ninguém. O Luís é o único a quem me mostro verdadeiramente. Tenho momentos em que vivo numa realidade paralela. Sinto a sua presença, e sorrio por ele, e acredito mesmo que ele não morreu. Vivo tranquila, com ele ao meu lado. Vivo. Depois há momentos que desencadeiam a minha morte: uma publicidade, um cheiro, uma comida, um tique, um garoto a chamar o pai no supermercado. E sofro. Nunca pensei que a dor psicológica pudesse ser tão física. O aperto no peito é real. Sinto que me arrancam o coração. Afinal éramos só um, e não imagino a minha vida sem ele. Não sei viver sem ele mas tenho que o fazer, por ele.

Arrancaram-me parte de mim, do meu corpo e da minha alma. E qual deficiente tenho que reaprender a viver com as minhas limitações. Nunca mais serei a mesma. Quando alguém perde um membro ou um sentido, dizem que os outros ficam mais fortes. Será que me vou tornar mais forte com a sua ausência? Não sei ,mas continuo frágil sem o seu sustento..

Cada dia que passa é mais insuportável que o anterior. Dói-me a minha ingenuidade, dói-me a alma por tudo o que não fiz. Às vezes, penso que não vou ser capaz de ultrapassar. Só quero estar sozinha e chorar agarrada à sua roupa preferida e à sua foto.

Devia ser proibido amar assim. Porque sem amor, a perda é bem menor. Mas também a vida não valeria a pena ser vivida. É a única coisa que me resta: o seu amor e todo o seu ser que vive em mim. Porque eu sou aquela que chamam de Armandinho...

Este fim-de-semana tomei a minha decisão: tenho que procurar ajuda médica. Sinto-me doente, o meu corpo já mostra sinais evitentes de desgaste psicológico. Tenho que parar de pensar que sou forte. Há quatro meses que não durmo (média de 2/3 horas por noite), estou sempre ansiosa, e sinto que a minha cabeça já não responde por mim... Sábado quase tive um acidente de viação por falta de reflexos. Custa-me admitir mas preciso urgentemente de cuidar de mim..

terça-feira, 1 de junho de 2010

Desaparecida em combate


Gostaria de poder dizer que desapareci porque fugi do trabalho em direcção ao mar. Passar dias românticos com o meu amor num local paradisíaco. Poderia dizer que o casamento mais importante para mim (depois do meu) foi fantástico e hiper divertido...

Poderia dizer muita coisa mas só vos posso dizer que quando a semana passada dizia que o pior estava a começar agora, não sabia o quanto estava certa. Quarta-feira o meu pai foi internado com suspeita de AVC ou tumor cerebral. A hipótese de tumor foi descartada. Mas continua internado a fazer exames para se perceber o que se passou. O cancro está a galopar. O estado depressivo dele também. Faltou ao casamento da sua neta preferida, a quem deveria ter levado ao altar. Doeu. Perdeu muitas capacidades físicas. E eu tive que voltar a percorrer 500 km e deixá-los sozinhos, entregues a eles próprios... mais uma vez vítimas de incompetência médica.

Voltei mas continuarei ausente porque tenho muito trabalho pendente. A vida continua a dar-nos pontapés quando menos se espera... O pior é que por mais tramada que seja, temos sempre que lhe dar a outra face, e continuar em frente...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

In Justiça


Gostaria de um dia poder ir almoçar com quem decide o que é comparticipado ou não no nosso benevolente Sistema Nacional de Saúde.

Afinal este nosso Estado apoio financeiramente quem decide fazer abortos. Eu não sou contra mulheres que recorrem a este processo em último recurso, por motivos fortes. Agora mulheres que fazem dos abortos um modo de vida e de contracepção? Porque é que eu tenho de pagar todos os meses 9.78€ por uma pílula porque tenho uma sexualidade consciente e certas mulheres (cerca de 340 mulheres fizeram mais do que 1 aborto em 2009) são recompensadas pela sua inconsciência?

Em vez de se instituir uma educação sexual sólida, apoia-se o aborto. E os meus impostos servem para isso. Mas eu preferiria apoiar aqueles pais cujos filhos têm uma doença rara e que precisam de dinheiro para o tratar no estrangeiro, preferiria pagar exames ginecológicos a mulheres com poucos recursos, gostaria mais de pagar vacinas contra o cancro do colo do útero, preferiria que fossem comparticipados tratamentos para a Psoríase que são excessivamente caros mas que são considerados tratamentos de estética, ...

A saúde é um bem precioso e caro no nosso país. Mas tudo se tornaria mais fácil se fossem tomadas decisões mais conscientes por quem manda no SNS!