quinta-feira, 19 de abril de 2018

A fobia dos alimentos


Por vezes acho que estamos a cair no exagero e numa verdadeira Ditadura da Dieta Saudável. Acredito que devemos educar as crianças para que saibam fazer as melhores escolhas e para que certos hábitos se tornem rotinas, que se irão manter ao longo dos anos. Não deveria ser preciso proibir produtos em bares de hospitais, por exemplo: cada cidadão deveria fazer a escolha certa por ele próprio. E tal como devemos educar e ensinar a fazer contas, a ler, etc., devemos educar para a saúde. E isso sim é obrigação do Estado.

Parece-me exagerado erradicar alimentos da alimentação. Há uma fobia à volta do trigo. Parece um bicho papão, mas este é a base da nossa alimentação. O mal não está no trigo mas nos vários produtos industriais a base de trigo. E nestes o ingrediente "mau" não é o trigo mas sim todos os conservantes e aditivos. Por isso, e tal como qualquer produto, se o fizermos em casa, estaremos a controlar todos os ingredientes: pão, bolos, iogurtes, etc., e serão certamente mais saudáveis. 

Há quem fuja a sete pés do açúcar refinado. Eu também o evito ao máximo. Mas depois não me parece que optar por receitas que têm as mesmas quantidades de açúcar de coco ou mel o torne uma opção mais interessante. É mais saudável certo, mas não deixa de ser açúcar, pelo que deveria se ter cuidado com as quantidades. Não é por ser mais saudável que não tem impacto na saúde. É sempre preciso controlar a quantidade ingerida.

Parece-me que começamos a viver numa Ditadura do Saudável que a longo prazo poderá ter efeitos negativos. O equilíbrio é, em qualquer área, a melhor alternativa. E viver em paz, sem obsessão, é o mais saudável. 

terça-feira, 17 de abril de 2018

Segredo para grelhados cheios de sabor



Há muita gente que torce o nariz à carne grelhada porque diz que não tem sabor. Mas o segredo está no tempero. Se pegarmos num bife de frango e o grelharmos, é normal que não nos dê prazer. O segredo está em apostar no tempero. E se for feito com antecedência melhor. Sal, ervas aromáticas (alecrim, louro, gengibre, etc.), limão, muito alho, etc. 

Um dos meus aliado é este Segredo da Margão Aves: os bifes de frango e de peru ficam deliciosos. Tem um ligeiro toque a caril. Quis alargar a minha colecção de Segredos Margão, porque têm imensa oferta: para carne, peixe, saladas, massas, bifes, Itália, México, Oriental, etc. Mas atenção, alguns destes assustaram-me: consultem as fichas nutricionais, pois são poços de açúcar. A minha próxima missão vai ser experimentar a minha própria mistura de especiarias. 

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Apagar Estocolmo | Jens Lapidus


Este é um daqueles livros que me deixam sem saber o que sinto em relação a todas as páginas que li.

O início deixa-nos cheios de expectativas: quando o alarme de uma casa dispara em Värmdö, perto de Estocolmo, um guarda chega ao local para perceber se foi falso alarme. Mas encontra um corpo brutalmente assassinado, irreconhecível. Ao sair disparado da cena do crime, encontra um jovem inconsciente num carro, que será considerado o principal suspeito. Entra em cena Emelie Jansson, uma jovem advogada comercial que vai assumir este caso contra a vontade do seu chefe. Conta com a ajuda de Teddy, um ex-presidiário que trabalha agora para a firma de advogados e que se vê envolvido no caso de homicídio pelo seu passado. 

Se o início é bombástico, o restante decorre num ritmo mais tranquilo. Não é que seja aborrecido,  longe disso, mas é um relato calmo, sem grandes sobressaltos e apenas alguma tensão. O crescimento da personagem de Emelie também me deixa algumas (grandes) dúvidas. O autor referiu em algumas entrevistas que queria escrever um "anti-policial sueco", e realmente conseguiu um estilo próprio, que não me cativou de forma extraordinária. 

O livro fala-nos do submundo do crime organizado, da máfia jugoslava, do tráfico, dos gangs, mas também de crimes financeiros.  Mas francamente estava a espera de mais deste livro. Faltou ali qualquer coisa. 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Desabafo tecnológico



A tecnologia está em todos os lugares e em todos os momentos da nossa vida. Há alguns anos atrás, as pessoas colocavam os maços de tabaco na mesa do restaurante. Hoje em dia é deprimente olhar pela sala dos restaurantes e ver casais, famílias, ou grupos em que, em vez de conversarem, estão todos agarrados ao seu telemóvel, nas redes sociais, “ligados” a pessoas noutros lugares. 

Deixou-se de se apreciar a companhia uns dos outros. Deixou-se de se conversar, de olhar nos olhos das pessoas. Em casa, acontece o mesmo. Vejo pais a entregar um tablet aos filhos pequenos ao jantar. E falar sobre o dia de cada um? Lá em casa, nem a televisão fica ligada a hora de jantar. Ao fim-de-semana, marcam-se visitas a familiares ou amigos, e cada um está agarrado ao seu dispositivo móvel. Um vício que está a prejudicar-nos tanto! É tão bom olhar nos olhos de outras pessoas, falar, ver sinais da comunicação não verbal: relacionarmos-nos como deve ser com as pessoas. Na rua, as pessoas param abruptamente para ver notificações. No comboio, está tudo centrado no seu mundo tecnológico. 

Não quero parecer uma velha que critica tudo o que é moderno, mas parece-me que estamos a cair no exagero. As pessoas sentem um vazio quando não têm o telemóvel na mão. Podem passar meses sem falar com certas pessoas, mas estão sempre a par da vida umas das outras. Há dias em que sinto falta do contacto humano de outros tempos. 

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Muffins saudáveis, simples e deliciosos



Quando testei esta nova receita, não tinha grandes esperanças na textura nem no sabor. E foram uma grande surpresa! Deliciosos! Fazem-se num instante, cozem em 10 minutos e comem-se em duas dentadas. 

A foto em cima é da receita original e como não me apetecia fazer cobertura, inventei e correu lindamente. Vão precisar de:


  • 2 ovos
  • 2 compotas de maçã (puré de maçã), de bebés sem açúcar adicionado (tipo blédina, mas uso da marca Jumbo)
  • 100 gr de farinha de aveia integral + fermento qb
  • Umas gotas de essência de baunilha
  • Leite qb apenas para acertar a consistência
Basta bater os ovos e misturar as compotas. Adicionar algumas gotas de essência de baunilha e juntar a farinha e o fermento. Misturar bem. Depois basta juntar só um pouco de leite para acertar a consistência da massa. Coloquei a massa em formas de muffins de silicone. Depois para lhes dar mais graça, nuns juntei canela e nozes picadas (depois misturei na própria forma, com o cabo de uma colher de café), e noutros juntei pedaços pequenos de chocolate negro. Vão ao forno cerca de 10 a 12 minutos ou até o palito sair seco. Deixem arrefecer e deliciem-se. Cá em casa adoramos!

terça-feira, 10 de abril de 2018

Reino de feras | Gin Phillips


Este era mais um "thriller sensação do ano". E francamente é um livro mediano. Mas continuo a bater palmas aos departamentos de marketing das editoras: excelente trabalho de promoção.... que infelizmente defrauda um pouco os leitores. 

Neste livro, uma simples visita ao Jardim Zoológico transforma-se em pesadelo para Joan e o seu filho de 4 anos, Lincoln, quando atiradores furtivos começam a disparar sobre os visitantes. Todo o livro centra-se na luta pela sobrevivência de Joan e do filho, com algumas personagens pelo meio, mas não tão bem construídas. O final é dúbio e francamente a história não me deslumbrou. Achei que o facto de uma mãe estar a lutar pela vida do seu filho (que tem sensivelmente a idade do meu) me poderia ligar emocionalmente e provocar em mim sentimentos fortes. Nem isso. Não recomendo.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A loucura do dia-a-dia


Na sexta-feira passada, acabei a semana a lançar um grito: de frustração e de descompressão. Vivo a um ritmo alucinante. Tenho a sensação de viver sempre a correr. E de facto vivo: acordo às 7h00, e começa um desencadear de tarefas, até apanhar os transportes, começar a trabalhar, aguentar o stress inerente à profissão, sem pausas nem descanso, até voltar a correr para apanhar transportes, chegar a casa e tratar de tudo. Para voltar tudo a começar de manhã. 

Sinto que não vivo: sobrevivo. Até que este ritmo me mate. Desgasta tanto. Sinto a vida a correr-me pelos dedos. Por vezes só me apetece largar tudo e começar uma nova vida, tranquila, longe do bulício citadino. Mas depois a realidade volta para me assombrar: temos de viver esta vida para pagar contas, criar os filhos. Mas estou cansada de correr. De não ter tempo para apreciar os momentos. De não ter tempo para me dedicar a 100% às coisas que realmente me fazem felizes. Sinto-me cansada deste estilo de vida. Gostava de ser menos ponderada para ter coragem de tomar decisões "loucas". É segunda-feira e volta a loucura... Por isso aos fins-de-semana, desligo, vivo sem relógios e horas marcadas. Por isso ultimamente, digo aos meus amigos para não ter "coisas marcadas". Recuso-me. Pela minha sanidade mental e saúde física, preciso de chegar a sexta-feira e desligar completamente. Viver noutro mundo, noutro ritmo. Nem que seja apenas por 48 horas. 

Boa semana!

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O regresso da Primavera | Sveva Casati Modignani


Os livros de Sveva Casati Modignani não são literatura para intelectuais: são histórias simples, com personagens com as quais facilmente nos identificamos. Este livro conta-nos a história de Fiamma Morino, uma mulher de 40 anos, directora editorial de uma pequena editora de sucesso que ela própria fundou, mas que está prestes a mudar de donos... Fala-nos da sua infância, e da sua relação problemática com a sua mãe, do seu primeiro casamento, do nascimento das suas duas filhas e da sua relação com Lorenzo Perego, professor de Geografia. De origens abastadas, Lorenzo decidiu ensinar numa escola para crianças desfavorecidas em vez de colégios privados. O livro retrata o estado do ensino em Itália e que pode muito bem ser a realidade de outros países, como Portugal. 
É um romance descomplicado, de leitura fluída, bem ao estilo da autora. 

terça-feira, 3 de abril de 2018

SOI - street food asiática


Abriu há quase um ano o restaurante SOI no Cais do Sodré. Estava com curiosidade há muito tempo mas só recentemente é que surgiu a oportunidade de lá ir. O espaço é bastante acolhedor e remete para as ruas asiáticas, com um colaborador com um chapéu em cone, uma bicicleta suspensa, e néons. 

No que a comida diz respeito, que é isso que realmente importa: a experiência foi muito boa. A entrada desiludiu: os Fire Crackers são camarões enrolados em massa crocante, servido com um molho de chili doce. Francamente, já comi camarões desse tipo bem melhores em muitos restaurantes chineses "de bairro". E 7€ por 3 camarões, acho excessivamente caro. Mas o Pad Thai compensou imenso e estava delicioso. Optei pelo de camarão, com massa de arroz, ovo, tofu, tamarindo, pasta de camarão, rebentos de soja crocantes, amendoins e lima. É um prato bem equilibrado, com um toque doce, guloso sem ser em demasia. Estava perfeito. E a dose era muito bem servida, tanto que nem comi sobremesa. Recomendo mesmo pelo Pad Thai. Fiquei com curiosa com os Money Bags (trouxas de massa crepe recheadas de cogumelos chineses, caju, gengibre, tamarindo e hortelã) e nas Espetadas de Frango marinadas em molho de ostra e raiz de coentros e caramelizadas com teriyaki. Hei-de voltar com certeza. 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Fim-de-semana de Páscoa


Hoje à noite rumamos a Vila Flor celebrar a Páscoa em família. O mais novo está ansioso.

Feliz e Doce Páscoa para todos!!

quarta-feira, 28 de março de 2018

Os meninos que enganavam os nazis | Joseph Joffo


Esta é a história verídica que conta a luta pela sobrevivência de um menino judeu na França ocupada pelos nazis. As perseguições e o medo fazem com que o pai de Joseph, um respeitado barbeiro judeu, decida enviar os seus dois filhos, Joseph de 10 anos e Maurice de 12, fugir para a França Livre. Sozinhos, entregues a si próprios, vamos acompanhando a fuga destas duas crianças para escapar à morte. Duas crianças muito criativas no momento de fugir aos seus perseguidores nazis. É uma história que nos mostra mais uma perspectiva da Segunda Guerra Mundial e que raramente é abordada. Gostei muito do engenho e do humor latente nesta história. De como tudo é natural: porque afinal quando somos perseguidos pela morte, tudo vale. O livro relata vários encontros, várias experiências emocionantes reais e autobiográficas. É um livro tocante pela sua simplicidade.

No final, o autor fala de muitas questões que lhe colocaram quando ia às escolas falar sobre a sua vida. É incrível constatar as reacções e as dúvidas das pessoas. E mostra como é importante nunca esquecer, para certos acontecimentos nunca voltarem a acontecer.