Se há coisa que Deus não me deu foi paciência. Paciência para esperar. Paciência para aturar pessoas com atitudes "estranhas". E estas últimas semanas têm sido ricas.
A minha amiga M. que no facebook faz várias entradas apocalípticas, dizendo que pensa no suicídio, que a morte é a única saída, etc. Afinal era só uma problemito no trabalho. Odeio pessoas que se fazem de mártires, que se vitimizam. E que o fazem publicamente no facebook para toda a gente lhe ir perguntar o que se passa. A mim não me dá vontade de mais nada: viro costas e mantenho o silêncio para não dizer coisas demasiado frontais. Não alinho em paninhos quentes.
E depois é a minha amiga J. que tem problemas de amores desde o início da relação. Tudo corre mal, mas tem que se manter com ele porque com 30 anos ainda fica para tia. Pois. Como é uma amiga mesmo especial e me custa vê-la a destruir a sua vida, ainda faço um esforço para falar com ela. E depois diz-me coisas como «nem toda a gente tem sorte de ter uma vida tão fácil como a tua». Foi a melhor anedota do ano. Eu bem lhe perguntei se realmente julgava que eu tinha uma vida fácil, eu? A 500 km de casa, com as doenças sucessivas que passei junto do meu pai, a perda do meu pai, a do meu irmão, a minha doença, o meu trabalho precário, ...? A única diferença é que não ando a remoer as coisas, levanto a cabeça, sorrio para as pessoas, não vivo na amargura, mesmo estando triste às vezes.
Na minha terra diz-se que «A sardinha na mão dos outros é sempre maior». Toda a gente tem os seus problemas. A diferença entre uma vida que parece mais fácil e outra não, está na maneira de encarar os problemas e de seguir em frente. Mais nada.





