sexta-feira, 13 de abril de 2012

Uma questão de educação


Estava empolgada por ler o livro de Amy Chua - O Grito de Guerra da Mãe Tigre. Fez imensa polémica. E francamente não percebi bem porquê. Claro que há posições muito exageradas (o episódio dos postais de aniversário foi o que mais me chocou), mas o livro versa sobretudo sobre as aulas de música das miúdas (não recomendo). Mas se calhar não fiquei tão surpreendida porque também fui educada por emigrantes...

Há muita gente hoje em dia que criou uticária a regras e a uma educação mais rígida. Há por aí tantos pais que não querem contrariar os miúdos, porque senão crescem jovens perturbados. Parece que o «não» é uma ofensa, quando é muito importante na criação da personalidade. Parece que se se disser não à uma criança é porque não se gosta dela. 

Claro que sou apologista que cada criança deve gozar a sua infância ao máximo de forma leve e despreocupada. Mas é também na infância que se cria a personalidade, pelo que há conceitos como a responsabilidade e o respeito que devem ser incutidas muito cedo. Os meus pais sempre me deixaram seguir os meus projectos de vida (por exemplo fiquei um ano em França sem eles a fazer o meu 10º ano). Sempre me deram a sua opinião mas a decisão final era minha. Mas se as minhas ideias fossem completamente descabidas, a decisão final era deles. Sempre imperou em casa a máxima «enquanto viveres em minha casa, as minhas regras imperam». Não me apoiavam de forma inconsciente. Por exemplo, nos Ídolos, será que não era melhor os paizinhos dizerem aos filhos que não têm jeito nenhum para aquilo?! Claro que não: senão ficam traumatizados.

Pode-se ser rígido e amar incondicionalmente. E ser mais rígido não quer dizer que somos uns abutres. Devíamos pensar que podemos estar a criar uma geração de mimados irresponsáveis...

13 comentários:

anf disse...

Tens toda a razão, o saber dizer não é muito importante e de pequenino se torce o pepino,
bjo

Como está a tua barrigona linda?, ah que sudades que eu tenho da minha barrigona, embora não troco este momento por nada,

Lux disse...

Sabes querida, eu acredito que educar é, muitas vezes, contrariar.
Ou nos habituamos desde pequenos aos nãos da vida, ou mais tarde não vamos ter capacidade de superar obstáculos.

Lux

Karina sem acento disse...

Os meus pais também foram assim. Ouvi muitos nãos. Cheguei a levar uma ou outra palmada. Resmunguei muito, e quanto mais resmungava, mais sérios e mais rígidos eram eles.

Hoje em dia sou uma pessoa normal, nada traumatizada e que tem uma maravilhosa relação com os pais. Adoro-os profundamente e agradeço todos os nãos que me deram. Mas também souberam dizer sim, muitas vezes sem ser do total agrado deles, mas porque era importante para mim.

Basicamente, souberam educar-me, que é coisa que hoje em dia não abunda muito por aí... *

Opinante disse...

Eu acho que estão mesmo a criar uma geração de mimados :S

Isa disse...

Olá concordo a 100% contigo. Eu com a minha Lucy tenho de estar sempre em cima é uma criança com um feitio marcado e se a deixo fazer o que quer quando for maior nem quero pensar.
Depois temos o problema dos avós que como já não teem a obrigação de os educar como tiveram connosco se tornam mais permissivos o que torna tudo mais complicado.

Beijokas

Dina disse...

anf: está grande e linda :) adoro olhar para ela. Acho que também vou sentir imensas saudades, mas por outro lado estou mortinha para ver a carinha dele :)

Lux: Exactamente. É por isso que acho que muitos da nossa geração e mais novos não estão preparados para enfrentar a crise e os problemas actuais. Porque nunca foram habituados a «nãos»...

Karina sem acento: É exactamente o que aconteceu comigo e gostava imenso de poder dar esta educação ao meu filho. É um dos maiores desafios conseguir encontrar um equilíbrio...

Isa: É o grande problema dos avós :) Eu vejo pelos meus pais: aceitam coisas dos netos que nem mortos teriam aceitado de um filho e olha que alguns dos meus sobrinhos têm a minha idade :)

Sónia disse...

Concordo, estamos a ficar numa sociedade de facilitismo só porque sim e não pode ser. As crianças tem de ouvir não, tem de ficar de castigo quando o merecem e tem de ser adequado à idade, mas também tem de ser louvadas quando fazem as coisas bem.
Não podemos estar nem no 8 nem no 80 algures no meio será o correto!

abspinola disse...

Concordo em pleno um não nunca +e demais, prefiro ouvir chorar e fazer a birrinha dele do que lhe fazer as vontades.
Criar habitos desde pequeninos , a vida não é umm mar de rosas e tem que ter a noção disso.

Bjstos

Tsuri disse...

Acho que o teu último parágrafo diz o mais importante. Concordo plenamente contigo.
Beijinho grande

Alminhas disse...

Eu não tenho dúvidas... estamos mesmo a criar uma geração de irresponsáveis... Uma geração que não aprendeu a lutar por nada... Uma geração que aprendeu a dar valor e a ter valores... Uma geração que pensa que tudo se compra e nada se cria...
Eu tenho medo desta geração... Nós soubemos viver a nossa liberdade de forma responsável...os que nos seguem não me parece que o saibam fazer... E o pior disto tudo, é que os culpados somos nós... por não termos a coragem de sermos pais e de sabermos a dizer não. Eu costumo dizer a muitos pais que me procuram em consulta, que dizer não é como dizer ao nosso filho que o amamos. Eles precisam de ouvir o não, precisam de frustrar e acima de tudo, precisam que os progenitores sejam pais e não amigos. Enfim, temos todos de parar e pensar como estamos a educar as nossas crianças. Beijocas Dina:) Deves estar uma barriguda linda:) Bom fim de semana!

Cláudia disse...

Concordo com cada palavra.
Hoje em dia não se pode dizer não, não se pode dar uma palmada, não se pode pôr de castigo, não se pode ser demasiado exigente.
É ridiculo este "laisser faire"...

Moa disse...

Sem dúvida Dina, eu tive uma educação rígida e hoje sou uma pessoa feliz e educada, com respeito pelos outros, com valores...não veja nada disso nas novas gerações.

Maria disse...

Faço das palavras da Lux as minhas :) Bjinho