quinta-feira, 29 de março de 2012

Carta que podia ter sido escrita por mim...

 
Adorei este post da maior Ursa da blogosfera. Para quem ainda não leu, gostava de partilhar. D´aqui.
 
"Há uma coisa que aprendi com esta gravidez: que, afinal, se consegue amar em abstracto e à distância.
Um filho nasce em nós mesmo antes de nascer fisicamente. Nasce, aliás, antes de habitar no nosso útero, de ser concebido sequer. 
 
Um filho nasce em nós na primeira vez que nos projectamos como mães. Que imaginamos esse cenário a médio-prazo, lá longe, na idade adulta, mesmo que passados anos nunca nos cheguemos a sentir assim. Um filho nasce em nós quando escolhemos um parceiro, vivemos uma paixão, construímos um amor, fomentamos uma relação e quando a palavra "filho" passa a ser partilhada, como um código comum, um pronome possessivo na primeira pessoa do plural. 
 
Um filho nasce em nós quando lhe imaginamos um rosto, parecenças, quando lhe atribuímos um nome ou outro, quando o concebemos com identidade própria, bebé, miúdo, adolescente ou adulto e quando nos imaginamos a percorrer todas essas etapas, crescendo também em paralelo. 
 
Um filho nasce em nós muito antes da sensação mágica de ouvirmos bater um coração dentro de nós, para além do nosso, um coração híbrido, que não é nosso e é tão nosso, ao mesmo tempo. Um filho nasce em nós muito antes de lhe atribuirmos uma imagem real, de lhe vislumbrarmos o perfil, de- mesmo que sejamos rijas- nos escapar uma lágrima (pequenina, que eu cá não sou de mariquices!) quando o vemos ali num monitor à nossa frente e o sentimos cá dentro. 
 
Um filho nasce em nós assim, como te estou a contar e talvez por essa razão, pelo facto de nascer antes mesmo de existir, é possível amá-lo em abstracto e à distância, como já te amo a ti."

7 comentários:

Vera disse...

Exactamente...e tenho pena que quem me rodeia não tenha a mesma opinião...que ache que eu não posso estar a sofrer por ter perdido um "bocado de sangue que nem sequer era um bebé" (dito assim de chofre com estas palavras).

Rita G. disse...

adorei ler esta carta. Linda e tão verdadeira.bj:)

Dina disse...

Vera: Lamento imenso o que aconteceu. Felizmente nunca passei por tal experiência, mas quando decidi engravidar, o médico avisou-me que tinha muitas hipóteses de abortar e quando quase abortei fiquei em pânico...
Uma pessoa ama um filho antes mesmo dele nascer. E acredito que o amor e a fé consigam milagres. Por mais difícil que seja agora, vais conseguir alcançar o teu sonho. Muita força querida!

Devaneios.de.mestra disse...

Estas palavras são mesmo lindas, e tocam mesmo no coração. Infelizmente ainda não reuni as condições para engravidar, mas cada vez luto mais por isso :)

Leope disse...

Concordo a 1000000%... Amo tanto os meus filhos e já os amava msm antes de nascerem...

Opinante disse...

Possa.. lindo mesmo!

Moa disse...

Lindo texto!