Nem sempre se consegue manter a moral lá no alto e por vezes é preciso descer ao Inferno para recuperar forças e avançar.
Estes dias têm sido difíceis. O S. sempre requereu muita atenção mas agora tem sido asfixiante. Só me quer a mim e tenho que estar a poucos centímetros dele senão chora. Se o deixo chorar canso-me de o ouvir, mas também não posso estar sempre presa a ele. Mas depois sinto-me culpada por não lhe dar todo o carinho que necessita.
E estou saturada de não ter uma actividade profissional. Tenho saudades de me levantar de manhã a pensar nas tarefas do dia. Tenho saudades de reuniões criativas, de prazos apertados, de escrever, do café com colegas, até do comboio pela manhã! Acho que não fui feita para me dedicar exclusivamente à casa e filhos. Mas também sei que se o S. fosse uma criança mais fácil, tudo seria diferente. Sinto-me numa engrenagem onde os dias são sempre os mesmos, com as mesmas tarefas. E perdi a minha liberdade e espaço que tanto prezo.
E depois não tenho disponibilidade para o marido. Só me apetece estar sozinha noutro planeta. Sinto-me mesmo esgotada.
Amanhã será um dia melhor, tenho a certeza.


















