segunda-feira, 25 de julho de 2011

Igualdade


Com a igualdade de géneros perdemos o melhor de nós: poder criar e cuidar dos nossos. Admiro as mulheres que conseguiram lutar pelos nossos direitos, é graças a elas que hoje posso ser o que sou.Mas...

Mas há dias em que me parece que esta vitória foi ilusória. A nossa igualdade com os homens é real na teoria, mas nem sempre se verifica na prática. Quando antes, socialmente só nos era pedido que cuidássemos do lar e da família; com a igualdade, também podemos trabalhar e realizar-nos fora do lar. Mas continuamos com as mesmas tarefas em casa, o que nos sobrecarga ainda mais. Claro que sou pela igualdade, gosto de ser livre de decidir como me quero realizar, e não depender de ninguém economicamente.

Mas não gosto de supostas igualdades. No trabalho, está provado que os homens continuam a ganhar mais para as mesmas tarefas. Muitas mulheres sofrem discriminações no trabalho por engravidarem (conheço casos de mulheres que na entrevista lhe perguntaram directamente se fazia parte dos seus planos ter filhos. Quem respondeu que sim, não conseguiu o emprego). Eu sou o caso em que o mais provável é ficar sem trabalho ou sofrer grandes pressões se engravidar. As mulheres acumulam cargos, e algumas são ajudadas nas tarefas domésticas. Mas temos que ser sinceras, a grande carga de trabalho recai sempre na mulher: quem sacrifica o trabalho para ficar em casa quando os filhos estão doentes? Quem cozinha todas as noites? Quem trata da roupa? Quem se levanta de noite para dar de mamar?

Os homens continuam a ser muito mais favorecidos. Continuamos a viver num mundo governado por homens, que privilegia homens. E tenho pena de ver que, hoje em dia, luxo, é uma mulher poder permitir-se ficar em casa a criar e a cuidar dos seus. Acredito que grandes males da nossa sociedade foram causados pela entrada da mulher no mercado de trabalho. Gosto de ser mulher e quero ser livre. Mas a partir do momento que nos abriram a porta do «trabalho», fecharam-nos a porta da «maternidade e do lar». E estas não deviam ser escolhas. Devia haver estruturas que nos permitessem, a nós mulheres, assumir todos os papéis que gostaríamos.

13 comentários:

Manuela disse...

Querida Dina, por isso já o disse várias vezes, aqui na blogosfera: as mulheres são umas heroínas; então se forem mães, são as super-mulheres!

Débora disse...

Oh, como eu concordo contigo... já várias vezes comentei com o Bruno: tanto as mulheres quiseram sair de casa, que agora muitas querem é voltar. A diferença é que muitas deles voltam para casa com empregada doméstica... assim é fácil! lol

Ao mesmo tempo que desejo e preciso de um trabalho a tempo inteiro, sei que nos dias que estou em casa não me falta que fazer. Como conseguir conciliar tudo? Vou aceitando que a melhor solução é ir fazendo alguns trabalhos para ganhar algum e aceitar viver com menos (e como é difícil, tantas vezes!). Porque ter mais dinheiro ao fim do mês, mas viver um dia atrás do outro sem ter tempo para usufruir dele ou dos pequenos prazeres da vida que não se pagam, como ver a minha filha crescer... não me parece uma melhor opção :(

Beijinhos*

Me disse...

Não imaginas o quanto me identifiquei com este texto...

Numa empresa muito conhecida, após terminar o curso fui escolhida entre milhares de candidatos para um programa trainee que tinham. Na última fase tive que demonstrar e justificar esta minha opinião. Se na altura fui literalmente "massacrada" pelo painel de directores e administradores que me estava a avaliar, a verdade é que acabei por ser escolhida. Desde essa altura, questiono-me se não será preferível assumir clara e sinceramente esta nossa postura. Parece-me que todos ganharemos com isso.

Formiguinha disse...

Que sábias palavras...
Infelizmente as mulheres são super descriminadas pela sua condição. Infelizmente a empresa onde trabalho não soube aceitar a minha condição de mãe e fui relegada ao ser mais inútil do sitio. Recentemente numa das vezes que fiquei em casa com o meu filho avisei que tinha o puto doente e que tinha que ficar em casa com ele e ouvi do outro lado: "E???? O meu também esteve e eu vim trabalhar" ao que eu respondi "Mas se calhar a tua mulher (ou alguém) teve que ficar com ele em casa????!!! Ou deixa-lo sozinho????"
Resposta do outro lado: "Só me dás desgostos!"

Fim de conversa...

Madrigal disse...

a juntar a tudo o que disseste ainda existe a exigencia de estarmos sp bonitas, vestidas à úlitma moda, ser a melhor mãe e profissional do mundo.
Na minha perspectiva acho que exigem demais de nós e dão-nos mt pouco em troca...

Sexy na Cidade disse...

Gostei! A realidade assusta (sometimes)!

Maria

Claudia disse...

A vida é mesmo assim. Injusta, madrasta. Mas (aqui entre nós) a força que ganhamos com tudo isto, a coragem, a paciência, o esforço, as recompensas... fazem com que nos orgulhemos de nós próprias, do que conseguimos, do que superamos, passamos a conhecermo-nos muito melhor e sem dúvida, a gostar muito mais de nós. E isso, isso faz toda a diferença!

Lux disse...

Subscrevo...
Se os homens pelo menos fizessem metade das tarefas em casa, já ajudava.
E não... Não existe igualdade!
Os homens continuam a ter preferência no mercado de trabalho e a ter rendimentos superiores ao executarem as mesmas tarefas que as mulheres.
Essa igualdade é pura utupia!

xoxo
Lux

krasiva disse...

Tinha uma professora que dizia que tínhamos sido era burras por queremos a emancipação, porque só ficámos com trabalho a dobrar. No entanto, acho que com o tempo as coisas vão mudando...até porque tem mesmo de ser.

Rabbit disse...

A igualdade não existe, mas aquilo a que hoje temos acesso, (ex: educação de nível superior, acesso a empregos diferenciados…) também não existia para nós há umas décadas atrás. Nada acontece por acaso, e muitas foram as mulheres que lutaram pelo direito ao voto, educação e acesso à profissão… Por isso, se ainda hoje essa igualdade não existe, não podemos baixar os braços. Cada vez mais, vemos mulheres, que com competência atingem lugares de poder. Se é possível para elas, temos de lutar para que tal seja também possível para nós ou para as nossas filhas!
Os homens não são nenhuns palermas, nem atrasados mentais que não consigam aprender a arrumar, lavar ou passar roupa. E depois, quando se decide casar ou ter filhos, essa sim é uma decisão a dois. Por isso, há que vive-la a dois e isso nada tem a ver com a “emancipação da mulher”, está muito mais relacionado com a “não evolução/adaptação” masculina à sociedade moderna. Se não formos nós a colocar os homens no seu lugar, muitos deles nunca o vão fazer por vontade própria.

Cumprimentos

M.M. disse...

Concordo plenamente com a Rabbit. Cabe a nós educarmos os nossos homens (namorados, maridos, filhos...) para que eles aprendam a partilhar tarefas. E acho que isso tem vindo a mudar. Pelo menos conheço muitos homens (incluindo o meu namorado) que não se inibe de fazer qualquer coisa em casa, seja o jantar, lavar a loiça, arrumar, limpar ou mesmo passar a ferro.

*C*inderela disse...

Esse assunto sobre a (suposta)igualdade de generos é das minhas areas preferidas da sociologia.
Não considero a entrada das mulheres no mercado de trabalho como um mal para a sociedade mas o inverso, que a sociedade continua a tratar mal as mulheres. Para além de vivermos numa sociedade machista as mulheres ainda continuam a contribuir para essa sobrecarga feminina (as mães ainda educam os seus filhos a verem futebol e comerem tremoços enquanto as raparigas estão a fazer as lides domésticas, por ex e por outro lado as mulheres não abdicam (não dividem com o pai) das licenças de maternidade porque sentem que a esfera doméstica é o único sitio em que têm realmente "poder"). Todas estas questões são questões educacionais, geracionais e culturais. Sei que existem paises que pagam (sim, pagam como tivessem a trabalhar) às mães para ficarem em casa a cuidar dos seus bebés até 1/2 anos de idade porque sai mais barato ao estado do que investir em creches e afins.
As mulheres ainda têm um longo caminho de conquistas.

bjokas

Dina disse...

Cinderela: o teu comentário foi muito pertinente e concordo com o que dizes. E além de nos queixarmos, a diferença tem que ser feita por nós mulheres no dia-a-dia: na educação que damos aos nossos filhos, aos maridos, etc.