terça-feira, 29 de março de 2011

Gentinha


Não gosto de pessoas que se levem demasiado a sério. Não gosto de pessoas que se julgam mais ou melhores do que os outros por serem doutores, por terem mais dinheiro ou ter um status diferente. Pensam que vivem acima de todos, e até acima dos desígnios divinos: que nada os podem atingir porque cheiram a dinheiro e poder a centenas de metros. Não gosto de pessoas que se gabem descaradamente de virem de uma linhagem de advogados, médicos ou afins. Como se só este simples facto fizessem deles um ser melhor. Detesto quando menosprezam um emigrante só por ser de outra nacionalidade, (ou a senhora da limpeza do escritório porque acham que vale menos do que nós) quando ele é que tem o mérito de ter chegado onde chegou pelo suor do seu corpo.

Neste aspecto eu e o meu marido fazemos uma boa dupla. Admito ser da chamada classe média: trabalho, sou licenciada, ele é funcionário público, temos casa, carro e formação. Mas quando conhecemos gentinha como aquela assumimos o que os outros odeiam. É ver a cara de horror quando dizemos a pleno pumão que somos filhos de troalha/ dona de limpeza e agricultores, o meu marido adora dizer que tem o 11º mal feito, que somos pobres e que tenho mais consideração por um estrangeiro do que por muitos doutores que por aí andam. Não sei porque é que tanta gente tem medo de assumir as suas origens. Tenho tanto orgulho nelas. Mesmo. De poder olhar para trás e de dizer que os meus pais começaram na terra e fizeram tudo, e eu depois, para me tornar no que sou.

Há gente que pensa que o dinheiro lhe dá tudo, e até superioridade. Mas normalmente a quantidade de dinheiro no banco é proporcional à falta de valores. Há excepções, cuidado. Falo de alguns casos que conheço. Mas o grande segredo é que com ou sem dinheiro, todos acabamos da mesma forma e no mesmo lugar...

28 comentários:

Saltos Altos Vermelhos disse...

Mas sem tirar nem pôr! certo, certo, certo!

Kikas disse...

é tudo uma questão de educação.

mas concordo (mais uma vez, lol) com d o que dizes...

Anabela disse...

Eu também acho que tem a ver com a educação... mas de facto vê-se muito isso.
E aqueles novos ricos que além de esconder as origens ainda inventam titulos académicos??? Aqui existem alguns casos desses.
Bjs

Rita G. disse...

Um curso ou ter muito dinheiro não fazem de ninguém um ser superior. Quem assim pensa é burro, mais nada. Mas que há muita gente que se julga mais importante por isso, lá isso há! bj

Sorriso disse...

Ora nem mais! Concordo plenamente e assino por baixo! :)
Belo post! ;)

Kiss :)

Rabbit disse...

“Há excepções, cuidado”?
Então significa que para si o facto de alguém nascer num ceio familiar economicamente favorecido é automaticamente prepotente ou arrogante quanto a outros economicamente desfavorecidos?
Eu nasci e cresci numa família sem cursos superiores, os meus avós possuíam o 4º ano de escolaridade e os meus pais o 9º ano (também agricultores, ferreiros e costureira)! Eu sou licenciada e anseio por uma vida melhor.
A si digo-lhe o seguinte, não é o dinheiro que torna as pessoas arrogantes, mas sim a sua falta de formação pessoal e educacional (onde a educação escolar contribui para este pilar apenas parcialmente).
Conheço pessoas que sempre tiveram muito dinheiro e são cordiais, respeitadoras e sabem como ser compassivas, e não são excepções nenhumas. Conheço pessoas “pobres” que criticam todos aqueles que possuem aquilo que elas não tem, são invejosas e nada compassivas com ou outros. Falam com uma superioridade moral que entendem como adquirida. Não gosto destas posições, e porque cresci num ambiente humilde (mas que nunca me faltou nada) conheço muito mais pessoas “remediadas” e “pobres” do que ricas, e portanto falo daquilo que conheço bem, no entanto não digo que estas são a maioria, simplesmente porque não conheço o todo.

E digo-lhe mais, o facto dizerem-se filhos de “trolha/ dona de limpeza e agricultores” não faz de vos mais ou menos humildes, assim como ter o 11º ano mal feito. E depois, alguém que possui uma casa, carro … e diz-se da classe média, devia ter um pouco de pejo em dizer-se “pobre”. Compararmo-nos com pobres para parecer-mos mais respeitosos (ou outra coisa qualquer) digo-lhe que fica mal e chega a roçar na falta de respeito por quem é, efectivamente pobre!

Cumprimentos

Não sei que diga disse...

Podia ter escriro isto, concordo a 100%.A boa educação, o respeito pelos outros, o saber estar, nunca vem do dinheiro ou do facto de se ter um Dr./Eng. antes do nome, vem sempre do berço, a grande parte das vezes embalado e acarinhado pelas pessoas que trabalham nas terras, trolhas, empregados fabris,domésticas, etc.

Mami ( Sónia ) disse...

Concordo contigo, não suporto esse tipo de gente. O meu pai sempre me ensinou a ser educada com todos, e que todos temos o nosso lugar. Afinal que seria do médico sem a senhora da limpeza? dava consultas num monte de esterco não???
Cada um tem a sua função e somos todos importantes.

pensativa disse...

Mais uma vez completamente de acordo. Sem tirar nem pôr. Habilitações não são sinal de educação.

Dina disse...

Rabbit: Eu disse que havia excepções porque sim, também conheço pessoas que nasceram num meio economicamente superior e são do mais humilde que há. E conheci alguns cá em Lisboa. E sim, também conheço pobres que são arrogantes. Por isso chamei a atenção para a generalização deste post.

Francamente, considero-me humilde. Porque sempre fui educada assim. Com esse sentido de humildade e de igualdade para com os outros. Sei que tenho a capacidade de ver a vida com os olhos dos outros. E respeito qualquer classe social.Sem ter que me justificar: o que disse foi que sou da classe média, mas não me acho rica e acho que não ofendo nenhum pobre porque tenho casa pela qual pago uma prestação de 500euros mensais o que representa mais de 50% do meu ordenado, em que tenho carro de 2001, um renault clio, pago com a ajuda financeira do meu pai, etc.

Peço desculpa se a ofendi por me considerar pobre, quando afinal só trabalho para viver uma vida estável...

Pistaxa disse...

E eu sempre de acordo estou ctg Dina =)
Eu acho que falta de humildade está em todo o lado, sejam em ricos sejam em pobres.Há pessoas ricas que souberam e sabem lidar bem com essa condição.Sabem que não é preciso esfregar essa mesma condição nos outros, e tentam educar isso aos filhos.E há pobres como a rabbit dizia que são pessoas extremamente invejosas.Pessoas que se lhe saissem o euromilhoes iriam ser tão ou piores como ricos arrogantes.Eu não gosto de nem uma nem de outra parte.Acima de tudo gosto de pessoas humildes, gosto de pessoas que mostram o valor que têm sem ter que esfregar um curso ou um maço de notas em frente aos outros.Para mim, o dinheiro estraga algumas pessoas e o pior é que é á maior parte.Ainda assim conheço pessoas com grandes posses super humildes e educadas, pessoas que sp puseram os filhos a trabalhar independentemente se teriam $ para os sustentar a vida toda.Para mim acima de tudo é uma questão de educação e de valores que nos são transmitidos.

Beijinhossss

Sairaf disse...

Adoro-te menina-mulher frontal como tudo!!
Eu nunca neguei as minhas origens, o meu pai adorado foi pastor e a minha mãe que admiro muito fui empregada de limpeza e é graças a eles que sou o que sou hoje.
Abraço doce e tudo de bom
Sairaf

Rabbit disse...

O meu objectivo também não foi ofende-la, e se tal aconteceu também peço desculpas por tal. Devo dizer-lhe que tampouco me senti ofendida, mas conheço (infelizmente) outras realidades de vida e vidas como a sua e vidas (felizmente) mais desafogadas. Para mim, pessoas que trabalham para honrar os seus compromissos e conseguem honra-los, devem sentir uma espécie orgulhoso e não deveriam usar palavras como a de “pobre”, por exemplo.

Confesso que o que me chamou mais a atenção no seu post foi precisamente a generalização que me pareceu abusiva, no entanto, por vezes queremos apenas passar uma mensagem, e outros (como eu) interpretam-na de forma muito literal.
E depois, pelos comentários que aqui estão postados, todos percebemos que conseguiu passar bem a mensagem, e no fundo é isso que importa :D

Cumprimentos Dina**

Dina disse...

Rabbit: Não se preocupe, não me senti ofendida. Só acho que para conseguir transmitir uma ideia em meia dúzia de palavras, temos infelizmente que generalizar (odeio posts muito longos ;)... E tenho muito orgulho de ser o que sou e ter o que tenho pelo meu esforço e dedicação! Justamente por prezar tanto esta classe que honra a sua missão social e pessoal de trabalho é que perante gente que os(nos) menospreza eu rebaixo-me ainda mais para frente a frente defender a classe mais desfavorecida. Para lhes mostrar que gente que não nasce num berço de ouro também consegue ser alguém na vida, também consegue atingir objectivos, que consegue ser educado e com valores...

Um abraço grande para si Rabbit :) E agradeço a sua frontalidade e opinião!

Verinha disse...

100% de acordo, conheço muito boa gente que à medida que foi ficando com uma vida melhor foi mudando radicalmente. E nem precisam chegar a ricos para o dinheiro lhes subir à cabeça.
No entanto como dizes há outros que até podiam ser a pessoa mais rica do mundo que continuariam se tal e qual como sempre foram.

Bjks***

Military Life style disse...

Concordo plenamente :)
eu cá detesto gente que tem a mania, afasto me logo mal possa!

Miss Kitty disse...

Concordo e muito! É o chamado status. Parece que há quem lhe dê muita importância.

**

*C*inderela disse...

um curso e dinheiro não é sinónimo de boa educação e inteligência! e sim, não vale a pena terem tanta peneira porque acabamos todos no mesmo lugar (adorei a observação).

bjokas

secretasme disse...

Não podia concordar mais com este texto!!
Tanta hipocrisia que anda por aí...enfim...

a do lado ! disse...

O mundo está cheio de pessoas assim... quem se julgam mais que o que são! Conheço uma pessoa que se fosse rica ninguém podia com ela... Deus nos livre.

Mãe Moderna disse...

Concordo plenamente.
Infelizmente conheço muita gente assim...

madeMOIselle disse...

Dina, concordo contigo!

E por isso é que gosto tanto de cá vir, pelo tua honestidade e humildade.

Acho fantástico.

Cresci noutro país e aprendi a ter uma das virtudes que mais me agrada em mim, como dizem: "je ne me prends pas au sérieux". Acho que toda a gente devia ser assim. Detesto pessoas convencidas, mesmo!

Não suporto pessoas que escondem as suas raizes, os pais, porque acham que isso é uma vergonha.

Alias, ainda há pouco tempo, fiquei tão danada com uma atitude de uma pessoa chegada ao meu marido, que me fiz passar por empregada da empresa da mãe dele. Bem...imagina a cara com que essa pessoa ficou ao saber que afinal era nora da Dona M. e que afinal me tinha despregado tanto por achar que era empregada.

Ana FVP disse...

Para mim é uma questão cultural e de educação... Influenciam totalmente este assunto tão sensível para muitas pessoas.

Tany disse...

E infelizmente é das aparências que a maioria das pessoas vive!

aprendereorganizar disse...

Bem Dina que texto...Adoro a tua frontalidade;)

Sónia Pereira - Chefe Oriflame disse...

Pois...sem tirar nem pôr

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