quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A hipocrisia das tradições


Sempre gostei de pessoas genuínas e que assumem o que são. Que não fazem as coisas porque é o que a sociedade espera delas. Eu digo que é hipocrisia das pessoas, mas há quem diga que é a sociedade que nos coibe a agir de tal forma. Eu ainda acredito que somos livres por enredar por determinado caminho...

Há muita gente que opta por seguir fielmente as tradições, independentemente das suas crenças ou vontades. Por exemplo, o Dia de Todos os Santos. O meu pai está enterrado no cemitério da aldeia, e vamos lá diariamente (eu quando lá estou). Fazemo-lo porque nos sentimos lá bem. E desde o funeral do meu pai, há campas ao abandono, que ninguém visita. Chegou o dia de Todos os Santos para ser uma ramboiada. Cemitério cheio, com milhares de flores e velas. Não há maneira de se recolher, porque esta gente está a dar show para nesse único dia ter a campa mais bonita da aldeia. Não é com sentimento que vão visitar os seus entes queridos, mas por vaidosismo.

Conheço muita gente que não é católica, que tem aversão à religião e depois faz questão de se casar pela Igreja. Pela festa, por poder entrar numa igreja de vestido branco. Ou então porque é o que toda a gente espera. Serei só eu que tenho aversão a este tipo de pessoas? É pura hipocrisia, porque podem fazer-se festas lindas pelo civil. Gosto de pessoas que levem os seus ideais avante.

E essa hipocrisia aplica-se em mais umas quantas tradições. O ser madrinha de uma criança sem  se ser católico, o vestir negro só porque assim manda a norma, enfim.

As almas sensíveis que me perdoem, mas isso só demonstra falta de personalidade. Eu luto pelos meus princípios contra tudo e todos se for necessário. Há que aprender a ser genuíno, porque ter atitude não é seguir as massas, é destacar-se delas!

10 comentários:

Mami ( Sónia ) disse...

Gosto de ti a sério que gosto!
concordo contigo :) Nos dias de hoje podemos fazer o que queremos claro sem ir contra a liberdade de ninguém.
Eu não vou visitar o cemitério neste dia,vou quando sinto que devo ir.
Casei-me pela igreja e baptizei a minha filha no mesmo dia porque é algo em que acredito e a filhota adora ir ver o Jesus como ela diz.
Não faço nada por obrigação,mas sim porque me sinto bem, se alguém está mal com isso olha temos pena.Mas sou muito feliz assim e não penso mudar.
Beijos

Kikas disse...

eu vou falar por mim...qd o meu marido faleceu, soube bem ir todos os sabados e ficar horas sentada junto a sua campa a contar-lhe como tinha sido a minha semana, as coisas novas que o F tinha aprendido...mas um dia, disse basta, não estou a conseguir viver...e assumo que há 4 anos que não vou ao cemiterio, deixei de me sentir bem...pode parecer muito cruel da mh parte, mas o Pedro partiu...já não resta nada dele ali...e prefiro muito mais,lembrar me dele de utra forma.

Com o meu pai a mesma coisa...

eu perdi ambos com cerca de 17 dias de diferneça e durante algum tempo eu precisava de la ir, de falar com eles...mas depois, eu não evoluia, e chegou uma altura que eunão me sentia bem...ir por ir, tambem não faz sentido.

acredito que eles não se importam...pq tenho outras formas de os recordar, de falar com eles...

olho para o F e vejo o Pedro com 8 anos...tenho parenças com o meu pai, tenho aquele jeito do meu pai..e para mim isso é o importante.

por isso não vou ao cemiterio.

mas sou eu.

e tambem não vou a funerais...custa me pronto



olhostristes-kikas.blogspot.com

Verinha disse...

Sabes eu costumo dizer que não vou a funerais, nem ao meu eu vou! lol
Quando morrer vou dar o corpo para estudos e depois de estudarem, olha já nem quero saber! Mas não me mandem para um cemitério.

Não entro em cemitérios, não vou a funerais, não vou a velórios, nem uso roupa preta no luto. E estou-me pouco lixando para o que as pessoas possam dizer!
O que interessa é o que sentimos cá dentro.

Também não entendo aquelas pessoas que só vão ao cemitério no dia de finados, ou bem que vão durante todo ano, ou bem que não vão de todo!

Quanto a essa parte de ser madrinha de uma criança sem se ser católico eu compreendo, o que não quer dizer que esteja de acordo, é que as pessoas encaram o ser madrinha/padrinho como uma 2ª mãe/pai, como alguém que apoiará sempree a criança. Por isso é que mesmo não sendo católicos aceitam ser madrinha/padrinho.

Bjks***

Clara disse...

Olá Dina,

Mais uma vez concordo plenamente contigo (somos do mesmo signo, e tal...)!!! Principalmente no que respeita ao catolicismo porque é onde mais de "escorrega" quando uma pessoa contraria aquilo em que acredita (ou não). As pessoas criticam, são do contra, mas depois recorrem para demonstrar que são como a maioria para aceitação da Sociedade!
Uma coisa que me leva aos arames e, aproveitando a história dos cemitérios, é ver nas campas do cemitério da santa terrinha da minha mãe, placas a dizer "a mom grand-pere", "a mom cousin"... pessoas que nem sequer tinham laços de afectividade com essas pessoas falecidas!!! Tudo para evidenciar o facto de estar a viver em França... é como acontece em Agosto, vir um casal, cada um em seu carro, para poderem mostrar que têm um mercedes e um volvo... I-R-R-I-T-A--M-E!!!

Nokas disse...

Completamente de acordo!! Ainda há pessoas que fazem as coisas para terceiros verem...Enfim!!

Belladonna disse...

Gostei bastante do texto, concordo plenamente.
Obrigada pela visita ao meu blog, também vou dar uma vista de olhos por aqui;)

Bailarina disse...

Eu nem sequer fui ao cemitério...

Deusa disse...

De facto. Ainda hoje a minha mãe comentava que foi ao cemitério e aquilo era um mundo de flores... flores que daqui a 2 meses estão mais que mortas ainda nas campas à espera que o vento e a chuva as levem...
Pura hipocrisia...
Infelizmente é mesmo assim...
Beijo :)

Tany disse...

Concordo contigo. E também não gosto nada dessas pessoas que descreveste. Outro exemplo são aquelas pessoas que Baptizam os filhos, parece que é só para fazer festa, pois nem na igreja sabem estar.

Enfim!

Carla disse...

Gosto do teu blog e gosto de ti!
E assino por baixo.
Na minha opinião as pessoas fazem as coisas para se mostrarem ou porque vão pensar mal delas se não fizerem e acabam por não fazer as coisas por elas mas sim pelos outros.
Quando foi o funeral do meu avô eu fui de calças de ganga. Eu estava lá por ele, porque o adoro, não para mostrar a minha roupa, aliás era a última coisa que me preocupava!
Não batizei o meu filho nem vou batizar porque não sou uma pessoa religiosa, não sigo nenhuma religião, para quê baptiza-lo?!
Se festejo o natal? Sim, adoro o natal, mas não o vestejo de forma religiosa. Vejo o natal de outra forma que talves outras pessoas não vejam, mas isso tem a ver com a minha infancia!
E pronto... Disse o que penso resumidamente:)
Beijinhos