segunda-feira, 14 de junho de 2010

Nem só de amor é feito um casamento...


O casamento não é só o assumir de uma relação amorosa. É também o contrato de uma casa, de um carro, projectos em comuns, uma família que vem atrás e filhos...

A minha amiga P. estava casada há poucos anos mas já tinha um filho quando o marido a traiu. E foi feio, porque há casos em que a traição não é o pior: doem mais as mentiras, as cenas miseráveis, os gestos que magoam mãe e filho neste caso. Mas perdoou. E claro, houve quem não compreendesse, que a criticou, porque poderia refazer a sua vida, etc. Mas esqueçam-se que ela tinha medo de perder a custódia do filho, que não trabalhava, que não tinha nada, que os sogros tinham advogados, etc. E o tempo foi passando e nunca mais tomou essa decisão...

Esta situação deve-nos colocar numa posição tão bipolar: por um lado, sempre disse que não ficaria com um homem que não amasse. Que o meu casamento só iria durar enquanto tiver bases sólidas e trouxer felicidade para os dois. Mas por outro lado, quando existem crianças pelo meio, que sofrem por ver os pais a divorciarem-se (mas que ainda sofrem mais por vê-los a destruir-se diariamente)...

Só não gosto de ver mulheres a criticar alto e bom som as decisões tomadas por outras nestes casos. Se quiser perdoar uma traição, quem é que me poderá julgar? Odeio ouvir «eu nunca admitiria». Porque o tempo vem demostrando que as que têm mais certezas, são as que mais admitem e mais facilmente perdoam quando chega a sua vez... E eu, nesse momento, não consigo deixar de apreciar o momento...

8 comentários:

Aninhas disse...

Como filha de pais divorciados, digo-te já que vale mais os pais divorciarem-se do que ficarem presos num casamento sema amor.

Acredites ou não, as crianças apercebem-se quando as coisas não estão bem. Sabem quando os pais já não se amam, só se aturam...

Eu fiquei mais feliz quando os meus pais se divorciaram. Já não havia discussões, já não havia aquele clima pesado. Fiquei tão mais leve...

Bjx

Gelatina de morango disse...

Só há uma pessoa a quem devemos dizer sempre que nunca admitiriamos: ele (também não vamos facilitar!).
Se bem que concordo a 100% quando dizes que doem mais as mentiras do que a traição. É que uma coisa é trair num momento de fraqueza (que é mau, muito mau) mas pior é obrigar a outra pessoa a viver uma vida de mentira durante sabe-se lá quanto tempo...

Brandie disse...

Não é por terem um filho que não se divorciam, este teria de lidar com as adversidades da vida e até sairia mais resiliente. No entanto, é perfeitamente compreensível que sem trabalho não tenha condições para o fazer.
A tarefa mais importante que ela tem neste momento é criar a independência dela para que, no futuro, possa decidir de acordo com o que a faz sentir feliz.

Soraya Guimarães disse...

acredita que sinto na pele esse 'dilema' à cerca de seis anos. E porventura por muitas dificuldades nunca mais vi o meu pai. Mas valeu mais tarde aperceber-me da gravidade das coisas e ver que afinal, podia ser muito nova mas entendia que os gestos de amor e carinho eram cada vez menos presentes na relaçao dos meus pais. A minha infância não me permitia que visse tudo isso que os rodeava, porque acima de tudo pensava que éramos uma família feliz, unida. A mais unida na rua da minha cidade (LOL) porém, o barco virou-se contra a maré dos meus sonhos e objectivos e vi-me a perceber coisas que nunca pensei vir a perceber tão cedo.
Vale muito mais dizerem-te na cara que acabou e enfrentar isso, do que viver aprisionada numa relação em que não és feliz. Podes ser mãe e ter cargo um filho, mas isso não abdica de poderes viver a tua felicidade. Não discordo com o teu texto, atenção. mas infelizmente vivi na pele os dois dilemas... tanto o de viver com os pais e aperceber-me aos poucos que afinal não eram 'assim' tão felizes, como de depois sofrer as consequências e descobri-las sozinha com apenas 11anos.
Desculpa o desabafo, mas é um assunto que me comove e que não fica de todo atrás das minhas costas.
Claro que com 18anos vou tendo muito mais maturidade, e agradeço grande parte à infância que tive, apesar de ter crescido rápido demais, algo que me condicionou a vários acontecimentos importantes na minha vida.
Beijinho, e continua a por aqui a tua opinião, é sempre um gosto ler(-te) e poder comentar *
(:

Mi disse...

Só sabemos como seria a nossa reacção quando se estivéssemos naquela situação. Porque falar é muito fácil.
kiss

Dina disse...

Eu também sou das pessoas que acreditam que os filhos sofrem sempre mais a viver o inferno de um casamento desfeito do que um divórcio. Mas tb sou daquelas que não criticam nem julgam as decisões das mulheres que optam por manter um casamento. Porque acredito que uma mãe quer sempre o melhor para os filhos, tenta sempre tomar as melhores decisões, mas ela é humana e também pode errar...

Olhos Dourados disse...

Uma pessoa só sabe quando passa por elas.

Cor do Sol disse...

Bem, eu já aprendi a não criticar nada no que diz respeito a um casal. Quando se cospe para o ar depressa leva com o cuspe em cima.