Quando vim para Portugal há cerca de 10 anos atrás, espantei-me com a passividade que caracterizava este povo portanto latino: pouco poder reivindicativo, classes de trabalhadores que não se unem, enfim... Ontem assisti em direito ao exponente máximo desta falta de pensamento global, como Pátria, para ver chefes de Estado a olharem para o seu umbigo. Não se pensa no bem comum, valor máximo da Democracia, para se pensar única e exclusivamente em eleições e o alcance do poleiro.
Não tenho vergonha de assumir os meus ideiais políticos. Nunca votei Esquerda. E portanto digo, far-lo-ei nas próximas eleições, e tenho medo que o povo se deixe iludir pela cantiga do vigário que a Direita está a preparar. Para eles «o problema não está nas propostas de Sócrates, mas na sua falta de credibilidade». Porque se forem eleitos, irão aplicar as mesmas medidas, ou talvez pior, com a vinda do FMI. Não há surpresas neste PEC IV. Mas abre as portas a eleições. E o povo é que vai sofrê-las. Agora é que as famílias vão ficar à rasca: facilidade de despedimento e redução das indemnizações e subsídios, IVA a subir aos 25% (proposta do PSD), IRS a subir, cortes nas pensões e ordenados mínimos, falta de liquidez dos bancos, as famílias a não poderem deduzir os juros do crédito à habitação no IRS, Euribor a 4%, etc. Em vez de se assistir a um desenvolvimento social, com o passar dos anos, vamos para pior.
Hitler era contra o sistema parlamentar. Dizia que era consituído por uma cambada de incompetentes, que não percebiam dos assuntos discutidos,e que eram os paus mandados do partido que representavam. Elegiam-se centenas de deputados, mas afinal a voz que se fazia ouvir eram de 2 ou 3. Concordo plenamente. Acredito que o fim do nosso sistema político tal como o conhecemos está prestes a desaparecer. Precisamos de alguém com mão de ferro, como o Salazar, que podia ser um ditador, etc., mas que foi o melhor economicista que Portugal já teve. E nunca mais voltará a ter...
