quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sim, sou egoísta


Agora que fui operada, muitos amigos perguntam-me quando vou ter o meu próximo filho. Adoraria ficar grávida outra vez e que o Simão tivesse um irmão. Mas quando tais sentimentos me invadem, a minha parte mais racional assume rapidamente o domínio e sei que o mais provável é que não terei outro filho. Porquê? Há quem diga que sou uma egoísta. Que seja. Não ganhamos bem mal nem bem. Sim, teria condições para dar de comer, vestir, dar educação a dois filhos, com esforço mas conseguiria. Mas começo a pensar que não conseguiria manter um estilo de vida que eu aprecio. Não iria conseguir levar quatro pessoas a restaurantes, ir de férias a quatro, ir a cinemas, etc. Isto é ser egoísta? então sim, sou egoísta, mas recuso a que me chamem fútil. Afinal eu só tenho uma vida, que quero aproveitá-la da melhor forma. Não quero ser uma máquina que trabalha tantos dias e tantas horas apenas para pagar contas. E porque quero facultar experiências ao meu filho: quero fazê-lo conhecer lugares novos, novas culturas, novas experiências, etc. 

E depois há quem remate com um "então porque é que sofreste para te fazer operar". E isso vindo de mulheres ainda me irrita mais. Nós não somos um útero ambulante com o único intuito de procriação. Quis salvaguardar o meu úturo sim, por mim, para não fechar hipóteses e mais uma vez para o Simão ter uma mãe a 100%. E francamente ao pensar numa gravidez, que seria ainda mais arriscada que a primeira, penso se valerá a pena arriscar a vida da mãe do Simão, que está cá, presente e a precisar de mim, por outro ser ainda hipotético...

7 comentários:

Timtim Tim disse...

Eu consigo entender-te perfeitamente, embora eu, apesar de já ter duas, gostasse de ter três. São questões de opções e prioridades e cada um sabe das suas. No meu caso, a melhor coisa que dei à minha mais velha foi a minha mais nova logo a seguir, porque não há companheirismo melhor para ela. Eu sou filha única e odeio sê-lo. Mas não penso que os meus pais tenham sido egoístas ao ter-me só a mim. Foi o que entenderam e fizeram. Cada casal toma as opções que quer. Beijo grande e não ligues a bocas.

Jo disse...

Não te acho nada egoísta. Acho que cada um sabe de si e que, muitas vezes, se nos preocupássemos menos em opinar sobre a vida dos outros fazíamos melhor figura... Se há quem queira ter 3 ou 4, mesmo não tendo uma vida muito folgada financeiramente e provavelmente tendo que se privar - e aos filhos - de algumas coisas, e isto é perfeitamente legítimo (que é!) e que quem o faz está no seu direito de determinar o que quer para a sua vida (que obviamente está!), porque razão haveria alguém de ser egoísta por preferir ter apenas um e manter um outro estilo de vida que prefere?

Um Mundo a Três disse...

A minha mãe teve a mesma maneira de pensar que tu. Não no sentido de me levar a viajar e dar experiências novas, mas sim em termos de educação e uma coisa é certa se tivesse um irmão os meus pais não teria hipótese de me dar a formação que tenho hoje. E nesse sentido entendo-a. Por outro lado o maior desgosto da minha vida é não ter um irmão por isso é sempre um pau de dois bicos.

Faz de Conta disse...

A decisão é dos pais e não dos outros. Se os pais estiverem bem, os filhos também vão estar. É lindo ter filhos mas tem de ser uma decisão ponderada pelo casal.

Opinante disse...

Nada como seguires as tuas convicções, sem pressão para não haver arrependimentos mais tarde :)

Gelatina de morango disse...

Decisões dessas só te cabem a ti (e ao teu marido), mais ninguém tem nada a ver. E não te considero egoísta nem fútil por isso, de todo, aliás percebo-te e muito bem.

D disse...

Eu acho que quem julga/fala dos outros em relação a assuntos e decisões tão íntimas e pessoais dos outros é que é egoísta. Ninguém tem nada que criticar ou opinar sobre algo desta natureza, mas a nossa sociedade teima em achar-se superior e portanto acha ter legitimidade para isso. Parabéns pela coragem e força para manteres a tua decisão, que é isso mesmo: tua!
beijinhos