segunda-feira, 4 de agosto de 2014

As duas faces do amor


O Simão faz de mim uma pessoa mais completa, mais feliz. É um amor incondicional, indescritível. Mas por outro lado, há dias em que faz da minha vida um verdadeiro inferno. Porque é que me havia de sair na rifa alguém com um feitio com vincado! Com o sangue que lhe corre nas veias é normal, eu sei. Eu olho para ele e penso "és a minha miniatura autêntica, porra". É uma criança que não pára, "surda" e que pouco se importa com castigos: pode experimentar tudo que nada funciona. Nunca dá a parte fraca (me too).

Eu respiro fundo, uma, duas, três, dezenas de vezes. Eu repito mentalmente "ele é uma criança, mantém a postura, com calma tudo se resolve, bater não é solução". Mas salta-me a tampa. Ele merece. Mas depois sinto-me esgotada e culpada. Mas há dias em que é um verdadeiro demónio!

E depois passa do demónio a anjo num segundo (me too). Ontem ao me saber chorar no quarto, bateu à porta e foi a correr dar-me um abraço. Quando olho para mim e viu que as lágrimas ainda corriam, voltou a dar outro abraço ainda mais forte. Esta manhã, chamou-me quando já estava no hall e levou-me para a cama para darmos mimo um ao outro.

Isto é tão complicado de gerir. É óptimo mas é esgotante. Faz-nos sentir o ser mais feliz a face da terra e o ser mais ignóbil  também. Acho que é isto o amor, não é?

4 comentários:

Saltos Altos Vermelhos disse...

E daqueles amores tão puros que até dói! Sei bem o que é isso ♥

Fernanda disse...

Claro que sim! É quando lhes ralhamos que os amamos mais, pois só o fazemos para lhes evitar sofrimentos maiores. E, é também, quando nos dói mais a nós, porque dói na alma. Mãe é isso mesmo, querida Dina, é saber ensinar-lhes a distinguir o bem do mal, o certo do errado, mesmo que fosse mais fácil ignorar.Há, infelizmente, nos tempos que correm, quem se preocupe muito pouco com a educação dos filhos, baseando-se numa qualquer pedagogia barata moderna que só os torna egoístas e "senhores dos seus pequeninos narizes".Mais tarde isso trazer-lhes-à grandes dissabores: a filhos e a pais!Beijinho grande.

A Pimenta* disse...

Oh já ouvi algumas mães relatarem precisamente o que aqui falas. Há fases complicadas, eles crescem e parece que o mundo é deles. Acho que é mesmo típico. E há alturas em que salta a tampa, oh imagino que sim!

Diana Machado disse...

Que bonito! ganhaste outra leitora :)