sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Um bebé


A vinda de um bebé pode não ser cor-de-rosa. Quando vemos filmes, quando lemos livros, é sempre tudo tão maravilhoso mas depois defrontamo-nos com a dura realidade.

No nosso caso, um filho foi motivo de afastamento, de discórdia, de lutas constantes e de separação à vista. O nosso filho foi muito desejado a dois. Depois de uma gravidez desgastante, surgiu o Simão. Um bebé que chorava constantemente, que mamava de duas em duas horas, que nunca quis estar sozinho. Ainda hoje requer muito atenção: não se quer sozinho, não brinca sozinho. Ainda hoje se contam pelas mãos as noites bem dormidas.  

O pai trabalhava por turnos, não dormia, não descansava. O cansaço acumulado fez-o culpar-me logo na primeira semana de vida, por eu o mimar de mais. Berrava contra o pequeno. E eu protegia-o. Não aguentava tanta recriminação e afastei-me e eu e o Simão passamos a viver um para o outro. E o pai sentiu-se excluído. E entramos neste ciclo vicioso sem fim. E mais era o afastamento, menos eu tolerava as aproximações dele. E chateiam-me o facto de nunca conseguir planear as coisas do bebé, não compreender que a vida não era como antes, etc. E claro com uma sogra infernal à mistura, tudo ficou explosivo.


Éramos um casal coeso e mesmo assim aconteceu connosco. Como se evita? Não sei. Como se resolve? Estamos neste momento a tentar perceber. Poderia dizer que é preciso muito companheirismo, muito carinho, muita compreensão, muito apoio mútuo, etc. Mas falar é tão fácil: ultrapassar a mudança no dia-a-dia é que é tão complicado. 

12 comentários:

Paula disse...

Olá, sei tão bem do que falas...no meu caso ditou mesmo a separação, com direito a ser traída e tudo. A minha filha sempre foi de chorar muito, de dar más noites, de eu adormecer exausta ao lado dela porque ela não adormecia de forma nenhuma. Eles (os maridos) deixam de ser o centro das atenções, não entendem os sacrifícios nem porque andamos cansadas, não sabem que basta esperar um bocadinho (uns meses, uns anos) que depois tudo volta a estabilizar. E posso dizer que foi a coisa que mais me custou na vida, passei uns meses de quase depressão após a separação, mas tive força pela minha filha e por mim. Hoje sou outra mulher, a minha filha é uma menina bem resolvida com a situação de viver com a mãe e ir ao pai de 15 em 15 dias porque é só do que se lembra (tinha 2 anos na altura. Hoje somos felizes, vivemos bem...e o amor voltou a acontecer, desta vez com uma pessoa que ama a minha filha como se dele fosse, que faz por ela o que o pai dela não faz.

Beijinhos e coragem para perdoar ou para mudar de vida, ambas são difíceis.

Paula

Moa disse...

Acho que para eles é mais difícil lidar com a mudança do que para nós. Eu não me posso queixar muito, ela normalmente dorme a noite toda, brinca sozinha...dá-me tempo para tudo e, mesmo assim, tb já tivemos momentos de virar as costas um ao outro. É muita novidade para assimilar mas, acredito que quando existe amor, tudo acaba por se resolver. Espero que seja assim convosco.BJ

Maria disse...

Conheço vários casais amigos a quem aconteceu precisamente o mesmo...alguns conseguiram resolver, outros partiram em rumos separados...Não passei por isso, talvez porque o meu marido tinha já dois filhos adultos quando tivemos os nossos e sabia bem onde se metia...mas claro embora a nossa opção seja estar com eles em todos os programas, até porque sendo mais velhos temos todos de aproveitar ao máximo, por vezes faz falta um tempinho a dois...Espero que no teu caso tudo se resolva!
Bjs
Maria

Monóloga disse...

a mim parece-me imaturidade da parte do pai...
e verdadeiro amor devia superar todos os problemas, certo?
força e não desistas nunca do teu filho!

Gelatina de morango disse...

Não tenho palavras mágicas para ajudar... tenho só um beijinho e o desejos, do fundo do coração, de que consigam ultrapassar essa fase.

cronicasdeumaraparigadesonho disse...

O facto de conseguirem tentar compreender já é bom. Eu cabei mesmo por me separar...

Jo disse...

Força e que consigam resolver esse afastamento não só pelo Simão mas sobretudo por vocês.

Verinha disse...

Olá!

Sabes, cada vez mais, e sem passar por isso, me tenho apercebido do que aqui falas, ter um filho não é fácil, e por vezes tem consequências devastadoras!

Quero muito ter um filho, faz parte dos meus planos, mas ao ter conhecimento de histórias como a tua, algumas com um final menos feliz, faz-me ter muita "cautela".

Um filho muda tudo, para sempre, nada volta a ser igual, nunca mais!

Como se dá a volta à situação? Muita paciência, muita conversa entre os dois, muitos momentos só a dois e não a três, e em ultimo caso terapia de casal.
Parece-me que se ainda houver amor, se tiverem os dois dispostos a salvar o casamento tudo se consegue...

Em relação ao teu Simão, também tenho um lá em casa, mais crescido, bem mais crescido, 10 anos, e é igual ao teu, não quer estar sozinho nem por nada, vai na volta é "mal" do nome lol

Força!

Bjks grandes ***

Drika disse...

Como te compreendo... No meu caso, também houve um bebé que sempre quis companhia, um pai que andava cansado e que apesar de participar em algumas coisas acha que é a mãe que deve cuidar mais, que se afastou e que não estava presente. Para me proteger e também ao meu bebé, acabei por me afastar emocionalmente. A separação também esteve à vista - acho que ainda está - estamos a tentar resolver as coisas mas passados dois anos de ausência e afastamento será que consigo?
Espero que vocês consigam superar tudo isso que voltem a ser um casal coeso :)

Vidas da Nossa Vida disse...

Se querem continuar juntos e voltar a ser felizes peçam ajuda profissional, façam terapia de casal. Se for essa a vossa vontade, claro. Bjs

O Diário de Pi disse...

força e coragem ;)

Mariana Ramos disse...

ADOREI!