quarta-feira, 23 de março de 2011

Rasca, eu?


Muito se tem falado da geração à rasca. O que penso é que o grande problema não reside na instrução da nossa geração, mas na educação. Afinal muitos são filhos cujos pais têm esta máxima «quero dar tudo o que eu não tive ao meu filho». Errado, profundamente errado. 

Em casa, havia um ordenado de trolha e outrode uma senhora das limpezas. Nunca me faltou comida, brinquedos quanto basta e tudo o que tivesse a ver com a minha formação. Nunca deixei de ir a um passeio da escola ou de comprar um livro recomendado. Os meus pais não eram ricos, mas também não eram pobres. Mas nunca me deram tudo. Desde cedo, aprendi a dar valor ao trabalho deles, e que na vida não se pode ter tudo. E sempre, desde muito cedo, tive que tomar as minhas próprias decisões e assumir as minhas responsabilidades. Ensinaram-me a lidar com frustrações e problemas da vida. Telemóvel só quando precisei e fui estudar para fora, portátil igual, etc.

Hoje em dia, estamos a criar crianças demasiado protegidas, que não estão preparadas para lutar, porque sempre tiveram tudo de mão beijada. Os meus pais sempre me auxiliaram, mas como num ninho de pássaros, deram-me asas para eu voar sozinha. Custa-me olhar para o meu vizinho à rasca e vê-lo com a mais recente tecnologia, um carro semi-novo, roupa nova... e continua em casa dos pais porque não se pode assujeitar a um ordenado de 600 euros. Eu vim de Trás-os-Montes com mala às costas, sem conhecer esta cidade, para começar a trabalhar por 500€. Arrisquei para lutar pela minha vida, e hoje tenho menos que estes rascas, porque tenho prioridades. 

À rasca estarei quando passar fome, ou tiver que deixar de comer isto ou aquilo, para pagar a prestação da casa. A rasca estarei quando tiver que deixar os comprimidos na farmácia porque a reforma de uma vida não me permite um tratamento digno. À rasca estiver quando for para um país de que não percebo a língua, passando a fronteira a pé, para dar um futuro aos meus filhos...

Sim à uma melhor remuneração e estabilidade laboral para licenciados. Mas também nem todos podemos ser Doutores. E pais e mães deste país, pensem que mimar demasiado os meninos nem sempre é ajudá-los. É preciso desde muito cedo ensiná-los a serem adultos responsáveis.

26 comentários:

Liliana disse...

Assino por baixo!

Sinto-me à rasca, por vezes sinto! Porque sou da geração dos quinhentos!!! Mas faço esforços e estabeleço prioridades! Não tenho tecnologias de última geração nem roupas caras...tenho o que posso! E sou feliz assim!

Bjokas

anf disse...

Posso assinar por baixo?

bjo

Rita G. disse...

Quando comecei a ler o teu texto confesso que não me identifiquei, porque de facto eu quero dar "tudo" à minha filha. Quando continuei a ler identifiquei-me a 100 %, porque quando falo em "tudo" não é em telemóveis de última geração, roupas de marca. Quero sim que ela tenha sempre cuidados de saúde, comida na mesa, possa ter acesso à educação e à cultura.Quero dar-lhe as ferramentas para que possa ser independente e não ter de viver com os pais aos 30 anos...confesso que tb me faz muita confusão certas pessoas que já passaram o escalão jovem há muito tempo e que continuam a viver na casa dos pais porque não podem abdicar do novo iphone, da viagem anual, da roupinha xpto...eu só ganho €700,00, vivo com o meu companheiro que ganha mais ou menos o mesmo, e a nossa filha e temos de nos sutentar sem ajudas, por isso há muita gente que se arma em coitadinho sem razão para tal...

Kikas disse...

Caramba...somos mesmo iguais.

Acabei de ter esse dialogo com o meu chefe...

Penso da mesma forma...a vida da geração à rasca foi mto facilitada, nunca lhe faltou nem falta nada...

Eu comecei a "trabalhar" aos 15, empregos de Verão, pq quis.
Com os meus trabalhos de Verão, paguei a carta de condução e a faculdade.

O meu primeiro emprego à seria, ganhava 110 contos...sempre defini as minhas prioridades.

Hoje aposto na educação dos meus filhos...andam num colégio particular, mas eles sabem que não poderam ter td...nada lhes falta, desde uma casa, a roupa, a comida do prato, mas não tem os ultimos jogos, nem a ultima psp...e muito menos telemoveis da ultima geração (nem eu).

Ainda ontem ouvia no café, uma senhora mto revoltada, com o governo e afins, mas não deixa de ir fazer unhas de gel tds as semanas, o filho com 8 anos tem um telemovel mto melhro que o meu, tem um Audi...e (nada contra, não entendam isto como desprezo pela profissão) é empregada domestica e o marido desempregado.

o grande problema deste pais, é que anda meu mundo a trabalhar para o outro meio.

eu acordo tds os dias 6h15, para ch ao fim do mes e trazer p casa 1200€...e mtos só tiram o cu da cama as 11h, pq ch ao fim do mes, entre subs de desemprego, rend minimo e outros mais, levam o mesmo ou mais do que eu.

enquanto não mudarmos as mentalidades, não há governo que nos possa governar...

a Gaja disse...

Li e assino por baixo. Os pais hoje não deixam os filhos viverem por eles próprios e fazem-nos viver o que eles desejaram e não tiveram...nem sempre ter tudo o que queremos faz de nós melhores pessoas e mais felizes...os pais de hoje em dia educam os filhos a ser fúteis e a quererem e terem de tudo. Isso sim faz desta uma geração rasca.

teardrop disse...

Também subscrevo. Só tive portátil quando comecei a trabalhar e comprei-o eu. Os meus pais não me puderam dar mais do que um curso, e mesmo assim fui bolseira. Não me reconheço na geração à rasca porque sei muito bem os sacrifícios que os meus pais fizeram para não nos faltar o essencial. Apoio quem não consegue encontrar emprego, mas isso é uma história diferente daquela que se quer generalizar!

Soinita disse...

Dina, palavras correctas as tuas.

Apenas me sinto "à rasca" numa situação... salário "não digno" da profissão/trablho.
Nesse ponto é que eu acho que estamos mal.

Suspiro disse...

Gostei muito das tuas palavras! certeiras e cheias de razão! beijocas

Me disse...

Como é que é possível que quase diariamente consigas escrever aquilo que são os meus pensamentos ou as minhas opiniões???

De facto, só podemos MESMO ter tido uma educação muito muito semelhante!!!

Bisouxxx

Paula disse...

até me apeceia fazer copy do teu post - não podia estar mais de acordo contigo (como sempre):-)
beijo
Paula

Friendly words disse...

Subscrevo inteiramente tudo o que escreveste! Beijinho

Military Life style disse...

Estou totalmente de acordo ctg porque os meninos estão habituados a terem tudo o que querem e quando querem e isso não é educar ninguém!
beijinhoos*

Claudia disse...

E está tudo dito!

Marabunta & Framboesa disse...

so true!

Sorriso disse...

Sinceramente, acho que o termo "à rasca" não se enquadra nesta geração... Seremos mais a geração do desenrasca porque é o que fazemos. Desenrasca-mo-nos com aquilo que podemos.
Depois, muitos caem no erro de generalizar e falam sem aprofundar verdadeiramente a questão, aquilo pelo qual esta geração luta.
Acrescentado a isto, acho que é importante dizer que nem todos são filhinhos do papá e da mamã, com direito a tudo e mais alguma coisa, e que se queixam sem saberem o que é procurar trabalho, mas procurar mesmo, e não encontram porque simplesmente não há. E não há nem condições nem oportunidades.
E ainda, filhinhos do papá e da mamã, sempre houve e sempre haverão, seja em que geração for, à rasca ou não.
Por fim, concordo contigo quando dizes que o problema passa pela educação. E não é só deste geração, é das detrás também...

Beijinhos :)

Miss Apuros disse...

Percebo o que queres dizer, mas não concordo. Os meus pais nunca me deram td, sempre me ensinaram a poupar e sempre me mostraram o quanto custa ganhar dinheiro. No entanto deram-me um curso superior e tenho tudo menos um trabalho decente. Se estou à rasca? Completamente... Apesar da educação, dos valores e da lutar por algo melhor. Há mesmo muitas pessoas que estão à rasca e não é por opção e muito menos por falta de valores. Bjs

Saltos Altos Vermelhos disse...

Vou citar-te posso?

Dina disse...

SAV: claro que podes ;)

Tany disse...

Estou completamente de acordo contigo e espero não cometer esse mesmo erro quando chegar a minha vez (pelo menos já penso nisso).

Bjs*

hug * disse...

lindo :)
fantástico mesmo...
tive uma educação em tudo semelhante à tua, contudo ainda não consegui voar assim... oportunidades de trabalho pós licenciatura não foram muitas e sujeito-me a uma bolsa do estado que em breve acabará...
não quero voltar a trabalhar sem ser remunerado como ja aconteceu durante tantos meses...não sei o que irei fazer mas de braços cruzados é que não e o voo continua eminente *

MissBlueEyes disse...

Assino por baixo. Quando queria o meu primeiro carro, a resposta da minha Mãe foi: "Tens que trabalhar para Ele filha. Eu limitei-me a criar-vos, educar-vos e dar-vos o essencial. Para esses luxos, só quando trabalhares". Sempre tive noção de que a vida não era fácil. Sempre soube que tinha que lutar pelos meus objectivos. E se em tempos a minha Mãe tinha mais admiração pela minha irma, por causa da boa filha que nunca deu dores de cabeça, já nos dias de hoje, tem mais admiração por mim. Ela diz que Eu sou como Ela, lutadora, vou em frente por mais curvas que possam existir e que me atiro de cabeça nas coisas. É verdade. Penso sempre que Deus me vai saber dar um sinal na altura certa.

Já fui casada, e sem qualquer problema depois de uma traição pedi o divorcio, foram 10kg ao ar. Fiz as malas e mudei para Lisboa por uma paixão, 4 meses depois regressei ao Porto, e sempre com uma coisa em mente. EU vou mas volto! Porque é ali que Eu quero morar. E voltei.
Já tive um carro zero KM, já o troquei por um bem velhinho para poder comprar um apartamento. Hoje tenho um 307(que adoro), que mais dia menos dia se vai embora, mas, para abrir o meu negócio, só mesmo vendendo o meu carro. Se neste tempo de crise tenho algum receio de abrir negócio próprio, algum, mas nada que com garra e luta não se consiga.

Com isto tudo para dizer que para ter umas coisas temos que nos privar de outras, que seja, o importante é não baixar os braços. EU sou boa para fazer sacrifícios. Eu consigo viver com 450€ ou 1200€

Geração à rasca é para quem pode, não é para quem quer!

MissBlueEyes disse...

Beijinhos :)

Sissy disse...

Não podia estar mais de acordo contigo! É uma maneira de arranjar desculpas de continuar no mesmo. Se outros conseguiram porque é que os outros não conseguem? Se não para o curso que tiraram... procurem outra coisa!

Beijoo****

Verinha disse...

Concordo contigo, se acham que agora estamos à rasca, então se um dia não tiverem dinheiro para comer, vão estar o quê?
O que mais me revolta é a mentalidade das pessoas, umas queixam-se que queriam um trabalho melhor a receber mais e tal, mas fazerem alguma coisa por isso, não fazem.
Outros acham que por terem estudado só podem trabalhar naquilo para o que estudaram!

Bjks***

*C*inderela disse...

Bem ... os meus pais também fizeram de tudo para me dar tudo o que eles não tiveram mas sempre explicaram que a "fonte não era inesgotavel". Ofereceram-me o meu curso superior e carta de condução e eu sabia que seria alturas de "apertos" e que não podia esticar no resto. Tive telemovel e computador mas tive de esperar para os ter. Só me davam as coisas quando podiam.
O problema de hoje em dia é que os pais já estão a dar as coisas antes dos meninos abrirem a boca e dão aquilo que podem e não podem.
E nos dias que correm não sei se compensa muito ser "doutores" porque lá vai o tempo de estabilidade e boas renumerações para licenciados.

bjokas

Tixa disse...

O que eu concordo contigo.
Não tenho curso superior pk simplesmente não tenho dinheiro para o pagar e garanto-te que é um dos meus maiores desejos.
Ganho 650eur e sustento-me e as vezes ate consigo ter um luxozito ou outro como por exemplo ir ao cabeleireiro.
Se gostava de tar melhor?Claro q sim!Mas estou como tu, eu não estou a rasca e so estarei quando não tiver de vir a pé para o trabalho pk não ha dinheiro nem sequer para o passe ou então não tiver o que comer.