segunda-feira, 27 de abril de 2015

Há dois tipos de pessoas


"Em toda a adversidade do destino, a condição que gera mais infelicidade é o facto de se ter sido feliz" - Boécio

Há dois tipos de pessoas. Há aquelas que passam por adversidades e não conseguem mais ser felizes. Deixam-se afundar por qualquer contrariedade e não conseguem dar valor ao que têm naquele momento. Estão sempre recordando o que já foram, o quanto já foram felizes. E como hoje não conseguem alcançar aquele nível de felicidade de outrora, já não se sentem felizes.

Depois há aquelas que passam pelas maiores adversidades, a perda de um filho, uma doença grave, e que vivem sempre com o sorriso nos lábios. São pessoas que tocam no fundo e por isso dão valor ao momento mais insignificante da vida, porque tudo lhes proporciona felicidade. Porque sabem qual o valor da vida. E depois estas pessoas são apontadas do dedo. Porque poucos percebem como é possível sorrir e ser feliz quando se passou por determinadas situações. Chega-se a acusar estas pessoas de não terem sofrido verdadeiramente aquela perda, aquela dor. 

Pessoalmente tenho pavor ao primeiro tipo, porque coabito de perto com ela. Por isso, recuso-me transformar-me neste espécie. Engoli em seco e vou sorrir: porque podia ser pior, porque podia nunca ter sido mãe, porque podia ser um tumor maligno. Não tenho o direito de me lamentar.

7 comentários:

Agridoce disse...

Hoje não concordo contigo.

Não sou do primeiro tipo. Mas também não me imagino a ser do segundo.

Se passo por alguma dificuldade, choro e sofro. E sinto-me miserável. E fico em baixo. E acho que é normal, que faz sentido. Não consigo encarar as coisas más da vida com um sorriso e pensar que podia ser pior. Podia, é verdade. Podia sempre ser pior. Mas o facto de haver quem passe por pior não pode menosprezar o meu sofrimento. É a minha dor. E é legítima.

Claro que não deixo que isso me consuma. Claro que choro, sofro, mas depois passa e sigo em frente. Não deixo que isso me consuma ou afunde.

Enquanto dói, dói. Depois passa e, aí sim, sorriso na cara :)

E tu não tens um tumor maligno, felizmente, mas estás a passar por uma fase difícil e ai de quem diga que não tens o direito de te lamentar!

Beijinho grande :)

Dina disse...

Olá Agridoce :) Compreendo perfeitamente a tua posição. Eu também preciso sempre de um periódo de "luto". Mas depois tenho que seguir em frente e encarar as coisas da forma mais tranquila e positiva. Não tento nem admito que menosprezem a minha dor (e odeio tanto ouvir certos comentários), mas eu própria não me sinto no direito de me afundar, de me queixar em demasia. Eu sei que me percebes ;)

L. das horas disse...

Olha eu tive um tumor maligno e raro foi o dia (será que tive algum) em que não me levantasse da cama com um sorriso, muita vontade de ir trabalhar e ir ao ginásio. Ainda não sei se vou ter o privilégio de ser mãe, mas quando chegar a hora H logo vejo como corre e o que posso fazer.

Sou do tipo 2, portanto :D

Muitos beijinhos!

Jo disse...

Também me recuso a ser do primeiro tipo...

Opinante disse...

Eu concordo contigo, e por isso tento ao máximo ser do segundo tipo de pessoa até porque quem está ao meu lado não merece tristezas.

Carla Isabel disse...

O importante é mesmo seguir em frente com um sorriso - " O Senho é meu pastor..."

Beijinho doce.

Nilda Maia disse...

Olá, Visitei e adorei o seu blog. Gostei muito dos seus textos e li vários trechos da sua exposição e conteúdo. . Fiquei bem animada e daqui pra frente, estarei sempre por perto vendo as novidades.
Venha conhecer o meu Blog também. Tenho certeza que vai gostar http://www.oslivrosdaminhabiblioteca.blogspot.com.br/
Um grande abraço. NILDA