sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A beleza da diferença


Somos seres sociais: e, mesmo que inconscientemente, moldamos os nossos pensamentos e maneira de ser, pela sociedade na qual nos inserimos. O que nos leva muitas vezes a fazer uma separação das coisas desta forma: o que é normal aqui é o certo, as outras maneiras de viver estão erradas. Quando isso existe no nosso mundo diário, quando extrapolamos para outras culturas, as coisas tornam-se ainda mais radicais.

Julgamos culturas totalmente diferentes com os nossos olhos ocidentais. Como se fôssemos os donos da razão. Mas para poder "julgar" os outros temos que tirar a nossa capa de preconceitos. Olhamos para os países orientais e pensamos: «que monstros eles têm trabalho infantil. Em vez das crianças brincarem eles vão trabalhar com 12 anos». Mas temos que pensar que a realidade destes países é totalmente diferente da nossa. Cuidado, eu sou contra a exploração infantil. Mas percebo que naquelas condições é o único meio que aquelas famílias têm para se alimentar. É a única realiade que existe. E se pensarmos bem há 50 anos atrás, acontecia exactamente o mesmo no nosso país: os meus pais começaram a trabalhar aos 10 anos. E ainda hoje, em França por exemplo, apontam-nos o dedo pela nossa exploração infantil!

Antes de julgar e criticar, temos que tentar ir mais longe e perceber as outras culturas. Na China comem cão e gato? E depois? Estes animais são considerados lá alimentos e não animais domésticos! Na Índia a vaca é sagrada, e isso faz de nós portugueses umas bestas por comer bitoques? Em África e no Médio Oriente, as mulheres não têm os mesmos direitos que os homens, mas já pensaram que são elas próprias que incentivam esse papel social. Que a grande maioria não vê mal nenhum nisso? Porque é simplesmente a sua cultura?

Não devemos julgar a nossa cultura superior às outras. Somos simplesmente diferentes. E isso é que faz a beleza do mundo. Há injustiças no mundo, claro. Claro que temos que lutar contra elas. Mas em vez de julgar, temos que aprender a conviver com a diferença...

9 comentários:

Fashionista disse...

Concordo!
E sim.. até há bem pouco tempo (e ainda hoje acontece nas zonas agrícolas) as crianças começavam a trabalhar muito novas..

Tsuri disse...

Ainda ontem tive esta conversa, a propósito dos meus avós, na altura começarem a trabalhar com 9 anos. Este texto poderia ter sido escrito por mim.
beijinhos e bom fim de semana

cycle disse...

Nem sempre é fácil. Nem sempre é belo.

Guinhas disse...

É verdade, tens toda a razão embora os choques culturais, às vezes, sejam tão grandes que seja dificil não dar uma opinião. De qualquer modo, ao faze-lo, temos de permitir que nos façam a nós.

Moa disse...

é um assunto complexo! Cada cultura vê as coisas à sua maneira...

A Paraíso disse...

Desculpa, mas procederem à excissão do clitóris em miúdas adolescentes em África, sem anestesia e com lâminas de barbear, por exemplo, sim, é cultura, e sim, é um atrocidade! Venderem crianças virgens para "curar" a Sida, sim, é cultura, e sim, é um crime!
No Médio Oriente açoitarem uma mulher por conduzir, sim, é cultura, mas sim, é um crime!
Não é por algo ser tradicional ou cultural, por ser visto como não tendo nal nenhum, inclusivé pelas próprias mulheres (são elas que realizam a excissão, por exemplo) não o faz correcto! Aliás, as mulheres ao longo da História não têm incentivado este papel, simplesmente nascem nessas culturas e não conhecem nem têm alternativa.
E na nossa própria cultura há tanto que é incorrecto, que estamos longe de ser belos! Aceitação social e cultural é uma coisa, ser condescendente com crimes culturais é outra! Achei o post horrível e um ataque a todas as mulheres que nesse mundo fora sofrem simplesmente porque são mulheres! Às que são queimadas na India em "acidentes de cozinha" porque o seu dote de casamento é pequeno; às que são vendidas pelos pais como escravas sexuais; às que são mortas por serem inférteis, etc... Simplesmente cultura? Os autos de fé e a escravatura, na nossa cultura, também já foram considerados como não tendo nenhum mal nisso! Ainda bem que alguém pensou que, se calhar, tinham algum mal...

Dina disse...

A Paraíso: lamento imenso se porventura fui desagradável. Penso que não entende, ou eu não me soube explicar. Eu própria disse no post que temos que lutar contra essas injustiças/ crimes. Eu não falei de casos tão radicais como os que aqui apresenta. Falei mais no geral, em casos mais latos. Eu que devemos tentar entender primeiro e depois julgar. Mas concordo a 100% consigo.

Por exemplo, há muito quem diga que as mulheres usarem burka integral é um atentado contra a dignidade da mulher, etc. Já falei e já li muitos relatos de mulheres que se sentem mesmo bem assim. E sabe que por exemplo em França são estas mulheres as maiores consumidoras de lingerie? Porque querem fazerem-se belas unicamente para o seu homem e não para a sociedade...

Mais uma vez peço desculpa se as minhas palavras não foram as mais correctas ou se a chocaram. Espero que tenha também tentado entender a ascensão das minhas palavras...

susiedesonho disse...

Querida Dina, e crianças a fazer novelas horas a fio, durante meses, não é exploração infantil?

Dina disse...

Susiedesonho: isto é considerado arte ;)