Uma pessoa devia aprender que as coisas nunca mudam. Nunca. Pode parecer que sim, mas lá no fundo permanecem sempre iguais. Levei com um balde de água fria na cara. Uma chapada tão forte que as lágrimas teimam em brotar descontroladamente. E claro que quando é uma pessoa tão próxima que nos desilude, numa altura tão importante da vida, dói a triplicar.
Pode parecer infantil, mas sei que serei incapaz de perdoar esta. Há meses que falámos e combinamos como queríamos viver o nascimento/ primeiros dias a três. Estava tudo certo, para vivermos este momento a três na plenitude e serenidade. E é tão importante para mim. Bastou a minha sogra falar que ele cagou para tudo o que sonhamos para a fazer feliz a ela, prejudicando-me a mim. Esquecendo o mais importante, o nosso núcleo novo familiar, por ela. Posso ficar magoada com ela, mas é ele que neste momento odeio. Odeio-o por se esquecer do meu bem-estar, odeio que ele tenha sempre como prioridade a mãe mesmo numa altura destas, odeio ele não ter coragem ou vontade de não satisfazer a mãe, detesto estar no fundo das prioridades dele. Porque não pode satisfazer ambas. E rouba-me assim um momento único da minha vida, que não se vai repetir.
E sei que estes dias que deveriam ser de partilha a dois não vão ser já vividos como deveriam ser. Tento vivê-lo só com o meu pequeno. E não consigo perdoá-lo por isso. Nem hoje, nem amanhã. Não houve cenas, nem pedidos. Só lhe disse o que pensava. Sei que não vai fazer nada para alterar nada. Isso já não me surpreende. Mas este foi uma machadada que se não derrube a árvore prejudica-a fortemente....



















