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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Desilusão


Uma pessoa devia aprender que as coisas nunca mudam. Nunca. Pode parecer que sim, mas lá no fundo permanecem sempre iguais. Levei com um balde de água fria na cara. Uma chapada tão forte que as lágrimas teimam em brotar descontroladamente. E claro que quando é uma pessoa tão próxima que nos desilude, numa altura tão importante da vida, dói a triplicar.

Pode parecer infantil, mas sei que serei incapaz de perdoar esta. Há meses que falámos e combinamos como queríamos viver o nascimento/ primeiros dias a três. Estava tudo certo, para vivermos este momento a três na plenitude e serenidade. E é tão importante para mim. Bastou a minha sogra falar que ele cagou para tudo o que sonhamos para a fazer feliz a ela, prejudicando-me a mim. Esquecendo o mais importante, o nosso núcleo novo familiar, por ela. Posso ficar magoada com ela, mas é ele que neste momento odeio. Odeio-o por se esquecer do meu bem-estar, odeio que ele tenha sempre como prioridade a mãe mesmo numa altura destas, odeio ele não ter coragem ou vontade de não satisfazer a mãe, detesto estar no fundo das prioridades dele. Porque não pode satisfazer ambas. E rouba-me assim um momento único da minha vida, que não se vai repetir.

E sei que estes dias que deveriam ser de partilha a dois não vão ser já vividos como deveriam ser. Tento vivê-lo só com o meu pequeno. E não consigo perdoá-lo por isso. Nem hoje, nem amanhã. Não houve cenas, nem pedidos. Só lhe disse o que pensava. Sei que não vai fazer nada para alterar nada. Isso já não me surpreende. Mas este foi uma machadada que se não derrube a árvore prejudica-a fortemente....

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Um homem também pare


Não somos só nós mulheres que engravidamos. Quando a criança é desejada, aqueles dois riscos mudam, quer se quer, quer não, uma mulher e um homem. É uma mudança lenta e quase imperceptível mas ela existe. O homem começa a preocupar-se com questões que nunca lhe passou pela cabeça: renovar a roupa interior da mulher para roupa de algodão, nutrientes e vitaminas ingeridas, papel higiénico usado, sustentação dos soutiens, etc. É verdade e o homem vive as preocupações da gravidez à sua maneira...

Agora que o grande dia está a chegar, o homem prepara-se para o parto. Até treina a respiração a dormir... Sente as dores, a azia, etc. E agora que as contracções chegam de meia em meia hora, tenho que ser eu a acalmá-lo e dizer-lhe que está tudo bem. Estou a ver que no dia D. ainda vou ter que abdicar da epidural em seu favor...

Ai, homem sofre...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A auto-estima e os outros


A habilidade de uma mulher para dar e receber amor nos seus relacionamentos é geralmente um reflexo de como ela está a sentir-se em relação a si mesma. Se não se sentir bem com ela própria, não irá conseguir relacionar-se de forma saudável com os outros.

Todas passamos por fases: momentos de grande glória em que nos adoramos, nos sentimos deslumbrantes, logo seguidas de fases em que olhar para o espelho é uma tortura, uma facada no ego, em que aquilo que mais gostávamos em nós se revela agora o pior dos defeitos. E quando não nos estamos a sentir bem connosco, não conseguimos apreciar tanto o nosso parceiro. Esta insegurança prejudica-nos. Estamos indefesa e emocionalmente reactiva. De forma irracional, começamos a atacar o outro. Ficamos mais vulneráveis e precisamos de mais amor. Mas neste momento, o outro tem tendência a afastar-se e a dar menos amor.

Mas por vezes ainda é pior o homem tentar consertar as coisas. Porque a mulher sente-se incompreendida, mais insegura e mais aflita fica. O homem tem de aprender que por vezes, quando a mulher se sente assim, o melhor que há a fazer é deixar que esta fase má passe por ela mesmo. Sem pedido de explicações, e apenas com apoio e amor.  Perante esta atitude da mulher, o homem sente esta fase como um ataque pessoal e diz-lhe que a culpa não é dele. E a briga cresce...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Dina, a conselheira matrimonial


Se tiverem que escolher um verniz para as unhas na companhia do vosso parceiro, e este for como o meu, em que tudo o que foge aos pastéis e rosas clarinhos é chocante (preto é para góticos, vermelho é muito atrevido, roxo é horrível, etc.), vou-vos ensinar um truque infalível...

Façam a ronda do mostruário de vernizes e escolham o verniz mais horroroso que aí se encontrar. E digam, com muito entusiasmo: «que verniz tão giro! Era mesmo aquilo que andava a procura!». Tente dizer essas palavras com o máximo de genuinidade possível. Depois de forma descansada, poderá pegar na cor que realmente pretendia, mostrar-se indecisa e fingindo preocupações económicas levar para a caixa somente este último. O macho revirará os olhos de alívio e irá pensar que sempre é melhor esta cor do que a outra. Que podia ser pior. E até ficará a aprovar a sua escolha.

E assim veio ontem o meu verniz laranja para casa...

* É um truque usado pelos designers: apresentar uma versão má para o cliente escolher a versão que mais gostamos ;)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Não há pessoas erradas. Os momentos escolhidos é que podem não ser os certos.


Há uns anos, ouvia muitas vezes  amigos a dizerem que existem mulheres para namorar (eles usavam um termo mais sexual) e outras para casar.  Se isso me deixou perplexa e achava aquelas declarações bastante machistas, que faziam da mulher um mero objecto sexual ou doméstico.

Mas com o tempo, vejo que é uma verdade límpida e sem preconceitos. Também nós mulheres encontramos homens que sabemos que são óptimos companheiros passageiros (apesar das mulheres sonharem demasiado com prícnipes encantados, vestidos brancos e rebanhos de filhos logo no primeiro encontro). Sabemos no fundo de nós que aquela relação é de curto/ médio prazo. Isso não lhe retira intensidade, antes pelo contrário, se os dois não criarem ilusões de um futuro brilhante a dois.

E depois há aqueles homens para os quais olhamos e Sabemos. Sabemos que é O Tal. Que aquele homem que vai ser um excelente companheiro dos bons e maus momentos. Vemo-nos logo no alpendre do nosso lar com os filhos a correr pelo jardim. Sabemos que ele será um óptimo pai para os nossos filhos.

Há pessoas para cada momento da nossa vida, cada etapa, cada projecto. Pena é haver pessoas que insistem em levar avante uma relação que não vai dar certo porque os dois não têm os mesmos planos para o futuro. Acredito que neste caso até se tenha consciência disso, mas se calhar por medo de se ficar sozinha, se teime em continuar com esta relação. Mas falha. Porque um vai ficar infeliz porque vai ter que fazer cedências demasiado grandes.

Vejo agora uma das mulheres mais importantes da minha vida a sofrer porque o sonho dela de ser mãe não vai poder ser concretizado com o homem que escolheu para casar. Porque pensava que com o tempo ele mudaria de ideias. Mas não. Agora se quiser concretizar o seu sonho terá de se separar. Ou ver a sua relação a degradar-se como até agora...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Há vida para além de...


Ontem li um post da Pipoca que falava acertadamente que há vida para além de um casamento. Porque há tempo e espaço para tudo: companheiro, amigos, actividades de lazer, etc. E eu acho hiper saudável que os dois não estejam sempre juntos.

E acrescento há vida para além dos filhos! Sim, eu sei que o nosso S. ainda não chegou, mas estou ciente de que não quero nem devo concentrar a nossa vida SÓ nele. Porque isso não é saudável. E eu acho que não se é pior pai por pensar assim, antes pelo contrário. 

Esta conversa porque a je já chocou umas quantas porque estamos a tencionar pôr o S. na creche em dias em que até o marido está em casa. Porque um bom pai está sempre com o seu rebento. Concordo no geral, mas acho que um homem/ mulher precisa de se dedicar a mais coisas do que ao seu filho para ser feliz e se sentir bem. Ou senão, depois há casos de pais recentes que se arrependem e culpam os filhos pelas mudanças da sua vida. 

Perguntam-me se não fico chateado com ele. Claro que não, antes pelo contrário incentivo-o! Há dias em que chega depois de 8 dias de trabalho às 7h30 da manhã (depois de 2 noites a trabalhar e mais de 48horas sem dormir) e precisa de dormir. Seria uma irresponsabilidade ele ficar a cargo de um bebé, quando o cérebro simplesmente não funciona. E depois precisa de fazer o seu treino, por exemplo. É tudo uma questão de equilíbrio e de manter a sanidade. Para depois passar momentos de qualidade com o filho... porque só nos dedicamos bem aos outros quando nos dedicamos a nós também.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Gravidez no masculino


O fim-de-semana a dois é sempre repleto de alegria...

O meu excelso marido quando me viu de leggins de grávida (ainda só tinha isso vestido), vira-se para mim e com um sorriso radiante diz-me: «que fofo, pareces o Obelix». Ainda bem que a minha auto-estima não está nas ruas da amargura. E ainda bem que as hormonas não me dão para ser violenta...

Mas o melhor momento do fim-de-semana aconteceu quando estava a expor as minhas dúvidas quanto à marca de creme endurecedor de mamilos que havia de comprar (eu sei que não é o termo certo, mas era esse que estava a usar naquele momento). Ele estava a conduzir e a ouvir-me quando me pergunta muito sério, sem tirar os olhos da estrada: «achas que se usar esse creme, também funciona em mim». Foi um riso incontrolável! Aquele homem não existe. Uma pessoa aqui com tantas dúvidas existenciais e é isso!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Do amor


Dizem que não há amor como o primeiro. E eu tenho que discordar, mesmo podendo haver alguns casos em que o primeiro amor se torna o amor de uma vida...

O primeiro amor é sempre especial, pois é único. Traz sensações novas que nunca se poderão repetir: apesar de cada nova relação trazer consigo aquele frio na barriga da novidade, do receio, da paixão inicial. Mas nunca ninguém se esquece do seu primeiro amor: toda a gente recorda com carinho aquele rapaz que nos arrebateu o coração, aquele primeiro beijo apaixonado,...

Mas ser o primeiro não o torna O grande amor. Este pode demorar a ser encontrado. Alguns descobrem-no no banco do liceu, mas outros só têm a sorte de o viver mais perto da velhice, por vezes depois de alguns casamentos falhados. E o que torna aquele amor O grande amor? Não sei. Há sentimentos que não se explicam, que dificilmente se colocam por palavras, mas quando uma pessoa o vive, sabe-o, sente-o em cada célula do seu ser. E o Grande amor não vem tanto das experiências que se partilham, mas da intensidade com que se vive cada momento.

E vocês, o que pensam: haverá amor como o primeiro?

terça-feira, 27 de março de 2012

Subconsciente masculino


Eu sou uma ingrata. As mulheres no geral são umas ingratas. Queixam-se constantemente que os homens não prestam atenção, não se envolvem, não se entusiasmam como elas. Isso acontece muitas vezes: quanto se planeia uma viagem, um casamento, a chegada de um fiilho...

Mas o meu homem preocupa-se muito... Sim, sim. Tenho tido noites difíceis graças a ele, entre roncos e mais roncos, ranger dos dentes, falar alto, rir-se alto, mexer-se (já chegou a fazer-me cócegas a dormir e esta noite até me beliscou o rabo duas vezes)... E isso irrita-me profundamente.

Mas esta noite acordei, sentei-me na cama e apreciei o cenário. O macho latino lá de casa estava naquele momento a treinar a respiração do parto. A dormir profundamente e a simular e a ensinar-me como devia respirar. O quanto me ri com ele. Não é um amor? Pensamos que eles não se preocupam, mas até a dormir revelam os seus receios e as suas preocupações para conosco...

*Estou a ser irónica, porque ele tem-se envolvido imenso. Aquele brilho no olhar quando fala do filho e dos planos que tem para ele deixam-me derretida (que agora se resumem a poder fazer castelos de areia com ele e poder comprar-lhe um tractor). Aqueles beijinhos na barriga, enfim...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Há dias assim


Há dias em que me concentro em não pensar, em ficar em piloto automático, concentrando-me no trabalho e nos afazeres diários. Há dias complicados, e por mais que me digam que não devia chorar nem ficar triste, eu faço ouvidos moucos. Quando é que percebem que chorar não é sinal de fraqueza mas que pode aliviar a alma como mais nada? Que há dias, momentos, em que uma pessoa sobrevive porque deixa escapar esta tristeza que nos invade através das lágrimas? Sim, eu sei que ele me quereria feliz, mas também sei que ele quereria estar aqui, porque foi uma das pessoas que conheci que mais amava a vida. E este neto que está aqui dentro de mim torna as saudades ainda maior...

Mas também é por este ser que sei que tenho de levantar-me. E hoje, existe outro Pai lá em casa. Porque apesar do S. ainda não ter nascido, ele tem sido um pai verdadeiro que faz sacrifícios para nós, para que tudo corra bem. Porque o amor já está patente no seu olhar e nos planos que já tem para fazermos a três. Por isso hoje haverá uma surpresinha lá em casa, para marcar pela primeira vez o Dia.Sei que se fosse o Dia da Mãe ele nem se lembraria disso, mas não faz mal, ele merece e de qualquer forma amar é sentir tanto prazer, ou mais, em dar ou que em receber...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Uma vida de amor


Hoje celebramos 13 anos juntos. Parece que ainda ontem éramos dois adolescentes que se apaixonaram nos bancos de liceu. E hoje olho para ele e sinto que nos conhecemos desde sempre e que ainda tenho uma vida pela frente para vivermos juntos as vicissitudes da vida. Estes anos foram marcados por muitos momentos felizes, muita paixão, mas também momentos duros, problemas, lutas, mas que foram sempre ultrapassados. Porque sei que um amor muito forte nos une. Sinto que ele faz parte integrante de mim. 

E este ano, vamos viver a Grande concretização do nosso Amor, com a chegada do nosso filho. Nem todos os dias são dias fáceis e apaixonados, mas não trocaria aquele homem por nada. Com o tempo aprendi a amá-lo para além dos seus defeitos. Vivemos cada vez mais pacificamente. Tenho pena que hoje nem o irei ver, mas o amor celebra-se para além de datas marcadas!

segunda-feira, 12 de março de 2012


O que mais gosto no fim-de-semana é poder desfrutar do meu pequeno-almoço com calma (não digo dormir até tarde, porque desde há uns meses acordo sempre cedo). Poder apreciar o meu café com leite com as minhas belas torradas, sem estar a olhar constantemente para o relógio com medo de perder o autocarro. Abrir as janelas e observar com calma o rio Tejo a seguir o seu curso, sem pressas. Deixar o sol entrar e aproveitar aquela frescura matinal, com o seu cheiro característico. 

Poder voltar para a cama, aconchegar-me aos cobertores. Ver o homem a dormir enquanto me dedico à leitura. Poder tomar banho tranquilamente e caprichar um pouco mais. Cuidar de mim. Aproveitar o dia para apanhar sol, descontrair, conversar, ver séries. Agora já me lembro porque gosto tão pouco das segundas-feira...

E este fim-de-semana teve ainda um sabor mais especial: começamos a montar o quarto do pimpolho. Agora olhar para aquela divisão torna tudo mais real, mais especial...

Uma boa semana para todas!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Como envolver um homem em 5 segundos


Os homens são tão engraçados. Tentem sentar-se com eles e falar dos preparativos para a chegada do vosso rebento. Abordem temas variados como que biberão escolher, quantas fraldas são necessárias, quantos pijaminhas comprar, etc. Falem do que quiserem e a opinião do macho será sempre semelhante: «Eu não percebo nada disso». E apresentará uma cara sem emoção nem interesse nenhum. «Mas eu não sei, nunca tive filhos nem irmãos. O que decidires deve estar bem», repetirá ele constantemente, em modo de desculpa.

Agora falem-lhe da possibilidade de circuncisar o seu filho. Aí sim vão ser ânimo e interesse no seu rosto. E indignação! Qual quê: querer mexer no órgão mais sagrado do herdeiro! Este sim é um tema que o envolve e o interessa. E apresentará argumentos para salvaguardar aquele pedaço de filho, como se a sua vida dependesse disso!

Eu nem estava a ponderar seriamente o assunto, mas gostei de o ver envolvido a sério numa questão relacionado com o rebento (não é que não se interessa, porque vai sempre comigo e tenta sempre perceber as coisas e ajudar-me a tomar decisões), mas nada comparado  com este tema. Então de vez em quando lá abordo o assunto novamente e adoro ver aquela cara atrapalhada, em defesa do moiço. Os homens são sempre assim: defendem aquele pedaço de carne com unhas e dentes, como se mais nada importasse!

quinta-feira, 8 de março de 2012

As amarras do amor


"Podia pensar-se que o amor constitui a nossa derradeira e eterna libertação, mas estamos enganados, porque ele nunca se extingue, continua a fazer de nós escravos. É um erro comum, aliás, como é que se costuma dizer por aí? Que o amor liberta? Desengana-se: o amor não é senão peso. É a coisa que com mais força nos prende a este mundo." *

É verdade que somos escravos do amor, nas suas múltiplas facetas: do amor pelos nossos, do amor pelo trabalho, pelas coisas que nos fazem felizes. No amor há sempre duas faces: a que nos liberta mas também a que nos amarra. Porque liberdade significa também amarras. Sempre. E nem sempre as amarras são negativas. O amor pressupõe cedências, mas desde que mútuas e sensatas, elas são um prazer.

E a partir do momento em que o amor nasce, este nunca se extingue. Podemos afastar-nos das pessoas amadas e até romper relações. Mas acredito, se calhar ingenuamente, que este nunca se extingue. Porque uma pessoa que amamos, marca-nos para sempre. Quando entra na nossa vida, muda-nos, mexe com a nossa essência, faz-nos crescer. E mesmo que o fim da relação seja penoso, crescemos e essa pessoa irá, mesmo que de forma inconsciente, permancer em nós. 

O amor liberta sim e se pode ser um peso, por acarretar responsabilidade, não é penoso. É sim a coisa que com mais força nos prende ao mundo e à vida. É porque amamos que é bom viver a vida. É o amor que dá sentido à vida. E se tiver que ser escrava do amor, que seja! Há domínios bem piores do que este!

*O Bom Inverno | João Tordo

quinta-feira, 1 de março de 2012

Desiludida

Quem mais amamos e nos faz mais feliz, também tem a estranha capacidade de nos magoar de uma forma tão fácil e tão mais cruel. Há palavras que parecem verdadeiros punhos de ferro. Há estalos e pontapés que deixam menos marcas do que certas palavras proferidas. E nada, nem ninguém as pode apagar. E quando estamos mais sensibilizadas, essas palavras conseguem destroçar-nos.

Sei que pode ter dito o que disse sem pensar. Só porque naquele momento estava nervoso e chateado. Mas quem ouviu aquilo fui eu. Já me custa sentir-me diminuída, inútil e dependente. Sinto-me vazia, abandonada e só. Vai passar claro que vai. Mas, por enquanto, só me apetece estar quietinha no meu canto a pensar no quanto as pessoas podem ser injustas...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Do fim anunciado


A separação é, muitas vezes, mais uma questão de falta de coragem ou medo de mudança, do que da falta de amor. 

Com o tempo as pessoas começam a sonhar mais e a contentar-se com menos. Com os anos, sela-se um compromisso, uma cumplicidade, uma rotina que dificilmente se desfaz. Chega-se a um ponto de envolvimento em que se torna difícil voltar atrás, em que já não é o amor a unir, mas sim obrigações morais. Não se é feliz mas se se acabar com esta relação fica-se ainda mais destroçado. E assim se mantêm inúmeras relações, ao sabor do tempo, sem paixão, sem sentimento, com a rotina e o hábito como único fio de sustento.

E depois surge muitas vezes a traição, movida pela vaidade de ser cortejadas. Unica e simplesmente. Pela saudades das borboletas no estômago, de se sentir especial, de ir jantar fora, de se sentir desejada. 

E é uma pena as pessoas aceitarem viver assim. Perdem momentos de felicidade porque lutar pela sua felicidade a dois dá trabalho e exige muito envolvimento diário. E é mais fácil "deixar-se ir" e depois quando acordamos é tarde de mais.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O privado tornado público

Se há coisa deprimente são discussões em público. Ou manifestações demasiadas exacerbadas em público. Sejam elas de que cariz forem. Nunca me virão falar mais alto para o meu companheiro no meio da rua. Se calhar, a minha cara até pode demonstrar alguma alteração, mas engulo em seco e depois falamos em privado. O que tem duas vantagens: com o tempo os ânimos arrefecem e toda a gente na rua é poupada a cenas tristes. Porque há pessoas que não têm mesmo noção do ridículo e do mau-estar que criam à sua volta.

E sou apologista disso com amigos, com crianças (claro que cada caso é um caso), etc. E quem fala de discussões, fala também de demonstrações de afecto. Não estou a falar de um beijo, abraço ou carícia simples. Mas é deslocado ver adultos a comerem-se literalmente em lugares públicos.

Hoje em dia, a privacidade tem saltado demasiado para fora de portas, quando há coisas que deveriam ficar no recôndito do lar. Porque há coisas que só dizem respeito a duas pessoas. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Today


Hoje celebra-se o amor. Nunca foi um dia muito especial, mas sempre o comemoramos à nossa maneira: uma noite juntos, um fim-de-semana especial, um jantar a dois, um miminho,...

Este ano o presente é do mais especial e mora em mim. O fruto do nosso amor. Devido a vários condicionantes, este ano não estamos para grandes festanços, mas não poderia de preparar algo especial para marcar o dia, porque o amor, esse, celebramo-lo todos os dias, em pequenas doses. De manhã, houve direito a um pequeno-almoço muito especial na cama e logo a noite vou cozinhar para um jantar à luz das velas a decorrer aqui, no nosso lar. E depois havemos de nos enroscar no sofá a conversar ou a ver um filme.

Porque o amor é para ser vivido assim (pelos menos para mim), no aconchego de casa (odeio restaurantes cheios neste dia em que os casais mal se falam mas se sentem na obrigação de irem sair), com momentos especiais em vez de prendas palpáveis. Para se celebrar o amor só são precisas duas pessoas!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Do amor


Há uns tempos o Ricardo Pereira disse numa entrevista que amava mais a sua mulher do que o seu filho, declarações que chocaram muita gente....

Primeiro eu acho estranho o conceito de «amar mais este do que aquele». Só acho que há amores diferentes. Diferem de intensidade, de maneira de ser, mas são amores ambos fortes e com os quais não conseguiríamos viver. Amo o meu marido acima de tudo, mas amo os meus pais com um amor tão grande e incondicional. Não há comparações possíveis. Cada um tem o seu lugar especial no coração sem substituir ninguém.

Mas eu não fico chocada por ouvir dizer que se ama mais um companheiro do que um filho (agora é que sou apedrejada). Repito para mim a questão não está no mais mas no diferente. Há mulheres que se esquecem que dos companheiros com a chegada de um filho. Já não se dedicam tanto ao seu marido, em seduzi-lo, em estar bonitas para eles, em passar algum tempo a sós. Mas os filhos crescem e seguem a sua vida. Normalmente, quem fica é o homem com o qual envelhecemos ao longo dos anos. E por isso é que a viuvez é tão dolorosa. Porque perdemos o verdadeiro único companheiro (no sentido lato da palavra) de todo uma vida.

Só espero não ser mal interpretada com estas palavras...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

o melhor da vida

Haverá alguma coisa melhor do que esta serenidade? Esta paz de alma. Ter o coração livre de angústias. Estar frio lá fora mas o calor habitar este lar. Estar aqui a descansar debaixo da minha manta com um bom livro como companhia. E sentir este filho a mexer dentro de mim, enquanto ali ao lado o homem da casa trabalha com dedicação e carinho no fraldário. E o cheiro do bolo a cozer que se espalha pela casa, para mais logo lancharmos juntos debaixo da mesma manta, meios abraçados, acompanhados por um leite quentinho. Há tanta coisa boa na vida. Basta senti-las e vivê-las. E se há coisa que prezo nesta vida é esta serenidade e paz.

Um bom fim-de-semana!