
Ontem foi dia de ver Para lá da Fronteira. E fez-me lembrar que sou uma alma sem terra, sem destino. Nasci e fui criada em França até aos meus 16 anos. Vim para Portugal e vivi dois anos em Vila Flor. Depois mudei-me para a Guarda onde estive 5 anos. E finalmente estou aqui na Região de Lisboa.
Eu senti o que é ser emigrante, porque sofri na pele a humiliação de ser estrangeira. O meu próprio pai o diz: «nunca senti o que é ser estrangeiro na pátria dos outros. Mas no meu país é algo constante». Foi uma realidade para mim não comer porque não sabia pedir, ser gozada pelo meu sotaque, enfim ser gozada e humiliada por ser francesinha. Fui humiliada da pior forma na minha primeira aula de português, pelo meu professor. Mas eu era forte, chorei de raiva e vinguei-me. A partir do momento em que a francesinha passou a ser melhor nas aulas do que todos os portugueses, aí começaram a respeitar-me.
Hoje respeito muito os estrangeiros neste país e odeio recriminações e discriminações. E é por isso que sou totalmente contra a nossa política de imigração. Eu sei que há muitos deliquentes estrangeiros mas também há muita gente que só quer vingar na vida e ter um futuro com melhores e mais oportunidades. Afinal, somos um povo com tantos emigrantes que deveríamos respeitar melhor do que ninguém os outros.
O meu sonho? Um dia escrever a história dos meus pais. Por eles. Por nós, os seus descendentes que tiveram outra vida graças aos seus sacrifícios. Por todos os que sofreram em nome da sua felicidade.














